Vereador do PL denuncia compra de influenciadores para atacar Banco Central. Denúncia expõe manipulação de narrativas e busca por eficiência cognitiva no grupo. O custo da honestidade na política é alto, com risco de rupturas e isolamento
Recentemente, manchetes destacaram uma denúncia feita por Rony Gabriel, vereador do PL de Erechim (RS), sobre a suposta compra de influenciadores para atacar o Banco Central do Brasil. Este episódio, independentemente do seu desfecho, revela uma dinâmica mais profunda do que um simples conflito.
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Expõe como as narrativas podem ser construídas para direcionar emoções, diminuir o pensamento crítico e moldar o comportamento coletivo. A questão central reside na atitude e no mecanismo por trás da disseminação dessas narrativas.
Não se trata apenas de influenciadores expressando indignação, mas da forma como o público reage. Muitas vezes, o público recebe o sinal social como um atalho, buscando a eficiência cognitiva. A preferência por uma opinião já estabelecida no grupo é mais rápida, menos cansativa e emocionalmente mais segura.
A repetição de ideias cria familiaridade e as transforma em “verdade”.
Denunciar, especialmente quando envolve riscos de exposição, distorção de imagem ou retaliações, não é uma tarefa simples. A honestidade é uma virtude, mas a denúncia implica em perdas concretas: ruptura de alianças, isolamento político, retaliações silenciosas e enfraquecimento do apoio financeiro e institucional para futuras campanhas.
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Cada denúncia tem um preço.
O silêncio na política é frequente, não por falta de informação, mas pelo alto custo de se envolver. A tolerância ao desconforto e a disposição para perder proteção são fatores cruciais. A dinâmica da política muitas vezes prioriza a manutenção do status quo, mesmo que isso signifique comprometer a integridade.
Denúncias, apesar de não resolverem todos os problemas, restauram algo essencial no debate público: a percepção de que ainda existe a possibilidade de correção e compromisso com um futuro melhor. Um futuro em que mudança e progresso caminhem juntos, com a ordem da justiça institucional, e não com base na lógica de grupos que acusam, julgam e condenam conforme conveniência.
A denúncia sinaliza que o país ainda acredita em si mesmo.
Na política contemporânea, o controle da narrativa se tornou um capital. A busca pelo alívio imediato, que rende votos, prioriza a autonomia, que exige tempo. Governar pelo conforto é diferente de governar pelo progresso. A figura do político que se apresenta como “sustentador” também atrai votos, pois oferece uma sensação constante de amparo, como um pai que nunca ensina o filho a andar sozinho.
Quando a narrativa se torna mercadoria, a verdade se transforma em detalhe, e a sociedade aprende que tudo tem preço, inclusive a confiança pública. A política contemporânea ganha força pelo que entrega ao interesse público, e não pelo que oferece à sociedade.
A política exige uma postura que priorize a integridade, mesmo que isso não seja popular.
Ao votar, a escolha se resume a: aceitar a narrativa bem contada, a opinião já aceita sem questionamento, repetida até se tornar verdade? Ou a postura de quem aceita o custo de dizer não, revisar benefícios, propor transições e sustentar limites, mesmo quando isso não rende aplauso?
No fim, votamos pela facilidade mental, pelo conforto imediato. Não falta discurso na política. Falta gente disposta a pagar o preço de não se vender.
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