A Essência do Vinho Veneto: Tradição e Inovação na Região da Valpolicella
Situada no nordeste da Itália, entre os Alpes e o Mar Adriático, a região vinícola do Vêneto possui uma história rica e complexa, intrinsecamente ligada à economia e à cultura do vinho. Desde a Antiguidade, a área foi moldada por rotas comerciais estratégicas, inicialmente sob influência romana e, posteriormente, pela República de Veneza, que transformou a região em uma potência mercantil.
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Essa tradição se reflete na diversidade de uvas e estilos de vinhos produzidos, que expressam o terroir único da Valpolicella.
Uvas Autóctones e a Alma dos Vinhos Venetos
A base dos vinhos tintos do Vêneto reside em um conjunto de uvas autóctones, cada uma contribuindo com características distintas. A Corvina Veronese é a variedade mais emblemática, responsável por vinhos de boa acidez, taninos elegantes e aromas de cereja, amêndoas e especiarias.
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A Corvinone, frequentemente confundida com a Corvina, adiciona estrutura e concentração, enquanto a Rondinella contribui com cor e resistência, e a Molinara, embora menos utilizada atualmente, aporta acidez e frescor.
Estilos de Vinhos: Da Leveza ao Potência
A região oferece uma variedade de estilos de vinhos tintos, desde os Valpolicella jovens e frescos, elaborados sem passagem por madeira e destinados ao consumo precoce, harmonizando com massas simples e pratos do cotidiano, até os Valpolicella Superiore, que apresentam maior concentração e estrutura, podendo envelhecer por alguns anos e acompanhar carnes grelhadas e queijos de média cura.
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O método do appassimento, no qual as uvas são secas antes da vinificação, resulta em estilos mais intensos, como o Amarone della Valpolicella, um vinho potente, alcoólico e complexo, marcado por notas de frutas secas, chocolate e especiarias, com longevidade que pode ultrapassar duas décadas e vocação para pratos robustos.
O Ripasso e a Harmonia de Estilos
O Ripasso ocupa um espaço intermediário, combinando frescor e profundidade, sendo versátil à mesa. A culinária do Vêneto se harmoniza incrivelmente com as características dos vinhos de lá, especialmente os tintos, dado seu potencial gastronômico; também reflete sua geografia e sua história, combinando a rusticidade do interior com a sofisticação herdada de Veneza, e tem como base ingredientes simples, valorizados pela técnica e pelo respeito à tradição.
A Tradição Veneta e a Sua Presença no Brasil
Com a imigração italiana para o Brasil, sobretudo a partir do final do século XIX, muitos desses hábitos atravessaram o Atlântico e se adaptaram aos ingredientes locais, consolidando pratos como a polenta mole ou frita, acompanhada de carnes e molhos, o arroz de forno inspirado nos risotos, o uso frequente do bacalhau em preparações festivas e a valorização de receitas simples, robustas e familiares, que até hoje fazem parte da culinária típica das comunidades de origem veneta no Sul e no Sudeste do país.
Vinhos do Vêneto: Reconhecimento Internacional e Tendências
No cenário internacional, os vinhos tintos do Vêneto conquistaram espaço graças à sua identidade clara e à capacidade de dialogar tanto com o consumo cotidiano quanto com o mercado de vinhos de guarda. O Amarone tornou-se um símbolo de prestígio, especialmente nos Estados Unidos, na Alemanha e no norte da Europa, enquanto os Valpolicella mais simples atendem a um público amplo, interessado em vinhos acessíveis e gastronômicos.
A região enfrenta desafios ligados à preservação da tipicidade, ao controle de volumes produtivos e à adaptação às mudanças climáticas, temas cada vez mais presentes nas discussões do setor.
