Vaquita-Marinha: Crise de Extinção e Ação Urgente da CITES

Vaquita-marinha: espécie ameaçada de extinção enfrenta cenário crítico. População estimada em 10 indivíduos. Pesca ilegal de totoaba impulsiona a crise. CITES busca soluções em Samarcanda, Uzbequistão, em 2026

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(Imagem de reprodução da internet).

Ameaça à Vaquita-Marinha: Um Cenário Crítico

A vaquita-marinha, uma pequena toninha encontrada no norte do Golfo da Califórnia, enfrenta a maior ameaça de extinção do mundo. Carinhosamente chamada de “panda dos mares” devido aos anéis escuros ao redor dos olhos e lábios pretos sorridentes, sua população diminuiu drasticamente, atingindo apenas cerca de 10 indivíduos estimados em outubro.

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Essa redução alarmante é resultado principalmente da pesca ilegal com redes de emalhar, que visa o peixe totoaba, também ameaçado, cuja bexiga natatória é altamente valorizada na China e pode ser vendida por até US$ 10.000 (cerca de R$ 53.000) por unidade.

Desafios na Conservação da Vaquita

A pesca da totoaba, proibida no México desde 1975, e banida permanentemente com redes de emalhar no Alto Golfo da Califórnia em 2017, não foram suficientes para impedir a prática. A captura acidental das vaquitas nessas redes continua sendo um problema crítico.

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Conservacionistas questionam urgentemente o que pode ser feito para salvar a espécie, com a próxima conferência da CITES, a ser realizada em Samarcanda, Uzbequistão, em novembro de 2026, focando nos esforços do México para proteger a vaquita.

Estratégias para a Recuperação da Espécie

O foco principal para a conservação da vaquita reside na eliminação da captura acidental, o que exige o fim das redes de emalhar. O cientista mexicano Lorenzo Rojas Bracho, que trabalha com a vaquita há mais de 30 anos, enfatiza a necessidade de fornecer aos pescadores equipamentos alternativos.

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Ele observa um “círculo vicioso”, onde a eliminação da captura acidental depende do fim das redes de emalhar, mas essa ação não ocorreu. Rojas Bracho descobriu que as redes de emalhar continuam sendo amplamente utilizadas para a pesca de camarão e peixes no Alto Golfo da Califórnia, e que pouco progresso foi feito na transição das comunidades para equipamentos de pesca alternativos.

Ações Internacionais e Desafios

Além das medidas nacionais, esforços internacionais desempenham um papel crucial. A instalação de blocos de concreto com ganchos salientes no fundo do mar, embora tenha sido implementada em uma pequena área, não é uma solução permanente. A “área de tolerância zero”, estabelecida no alto golfo, também enfrenta limitações, pois as vaquitas utilizam habitats fora dessa zona.

A pressão de organismos globais, como a CITES, que sancionou o México em 2023 por não fazer o suficiente para combater a pesca ilegal, é fundamental para elevar o perfil da questão e criar maior conscientização pública.

Esperança e Perspectivas

Apesar dos desafios, há sinais de esperança. A população de vaquitas tem permanecido relativamente estável nos últimos dois anos, com a identificação de juvenis e filhotes na pesquisa mais recente sendo um sinal positivo. A CITES e a Comissão Internacional da Baleia têm emitido alertas de extinção, incentivando ações necessárias.

A colaboração entre México, China e EUA, juntamente com o compartilhamento de inteligência e operações conjuntas de aplicação da lei, são essenciais para combater o comércio ilegal de totoaba. A criação de uma demanda menor pela bexiga natatória é um fator chave para a sobrevivência da vaquita-marinha.

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