Cláudio “Claudinho Carioca” Paes Alves, ex-operador da Bovespa, criou um bloco de carnaval que uniu finanças e samba! Descubra a história do “Valores do Samba” e como o ritmo invadiu o mercado financeiro em 1996
É difícil imaginar, olhando para a intensidade e a seriedade do mercado financeiro hoje, que em tempos passados o terno e a gravata poderiam ter sido substituídos pelo abadá e pelo tamborim durante o Carnaval. Tudo começou em 1994, mais precisamente no dia 29 de dezembro, quando um pregão da Bovespa teve um momento inesperado: uma batucada.
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A história desse encontro entre traders e a música, aconteceu no último dia de negociações daquele ano, quando cerca de 30 operadores decidiram encerrar o expediente de uma forma diferente, com samba.
Foi nesse clima festivo que surgiu o bloco “Valores do Samba”, idealizado por Cláudio José Paes Alves, conhecido como Claudinho Carioca. Ex-operador da Bolsa do Rio (BVRJ), ele trouxe consigo a tradição do Carnaval carioca quando se mudou para São Paulo (SP) em agosto de 1994.
Paes Alves conta que a adaptação à capital paulista não foi fácil no início, mas o mercado acabou se tornando sua segunda família. Ele relembra que, no Rio, o último pregão do ano já era um evento com clima de festa, com até mesmo uma eleição de “rainha do pregão”.
O objetivo do operador era replicar o espírito carnavalesco em São Paulo.
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A ideia de criar um bloco oficial foi bem recebida e patrocinada pela instituição financeira. Para concretizar o projeto, eles também buscaram o apoio da prefeitura e começaram a ensaiar em uma oficina mecânica no Tatuapé, onde quem não sabia tocar aprendia com mestres de bateria famosos como Pilon e Marquinhos.
A iniciativa foi um sucesso, reunindo pessoas de diferentes origens e com diferentes níveis de experiência musical.
A estreia oficial nas ruas aconteceu em 1995, mas o ápice do bloco “Valores do Samba” veio em 1996, quando desfilou no evento “Folia na Faria“, patrocinado pela prefeitura na Avenida Faria Lima. Naquela época, o bloco já atraía mais de 1.500 pessoas, reunindo funcionários da Bolsa, seus familiares e outros foliões.
O samba-enredo, escrito pelo próprio Paes Alves, fazia uma homenagem à história das bolsas, com versos que remetiam à gritaria necessária para fechar negócios na época.
O bloco “Valores do Samba” chegou ao fim em 1999, devido às dificuldades dos participantes em conciliar os ensaios com as demandas do mercado de capitais. Com o tempo, o pregão viva-voz deixou de existir, dando lugar a operações 100% computadorizadas. O grito dos operadores silenciou, tanto no mercado financeiro quanto no carnaval. Cláudio José Paes Alves, idealizador do bloco Valores do Samba.
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