Vale busca liderança global em meio à consolidação do setor, com Rio Tinto e BHP Group na frente. Mega fusão entre Rio Tinto e Glencore ameaça planos da Vale, focada em destravar valor e atender demanda por cobre e níquel
A Vale (VALE3) enfrentou um período de perda de protagonismo na mineração global, um declínio que se intensificou após as tragédias nas barragens de Mariana e Burmadinho. Essas ocorrências abriram caminho para a Rio Tinto assumir o posto de maior produtora mundial de minério de ferro.
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Atualmente, a BHP Group lidera o setor, com uma avaliação de mercado de US$ 162 bilhões, seguida pela Rio Tinto (US$ 133 bilhões) e a Glencore (US$ 71,6 bilhões). A Vale, por sua vez, possui um valor de mercado estimado em US$ 60 bilhões, conforme estimativas de mercado.
Recentemente, a nova liderança da Vale, sob o comando do CEO Gustavo Pimenta, anunciou uma ambição ousada: tornar a empresa a maior mineradora do mundo. Essa meta se conecta com a vasta reserva mineral do Brasil. Pimenta enfatizou a necessidade de “destravar o valor” da empresa.
No entanto, uma possível megafusão entre Rio Tinto e Glencore representa uma ameaça significativa a esse plano.
As duas mineradoras confirmaram negociações iniciais que podem resultar na maior fusão da história do setor, criando um grupo com valor de mercado próximo de US$ 207 bilhões. Essa transação colocaria a empresa resultante em destaque. Analistas como Fernando Fontoura, sócio-fundador da Persevera Asset, avaliam que, diante de uma companhia combinada entre Rio Tinto e Glencore, a meta da Vale se torna inalcançável no curto prazo por meios orgânicos.
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A complexidade das negociações envolve questões regulatórias, incluindo a divisão de ativos de carvão e a estrutura do trading da Glencore.
A fusão entre Rio Tinto e Glencore tira a Vale de uma “zona de conforto”, aumentando a pressão por decisões estratégicas mais relevantes. Analistas apontam que a combinação das duas mineradoras reforça a corrida global para ampliar os estoques de metais ligados à transição energética e à expansão da inteligência artificial, com o cobre se destacando como um ativo estratégico.
A Glencore, já a sexta maior mineradora de cobre do mundo, criaria uma potência ainda mais focada nesse mercado.
A megafusão reforça a pressão sobre a execução em torno de níquel e cobre, para destravar valor na Vale, mostrando ao acionista que é lá que está o futuro. A consolidação no setor, como a fusão entre Anglo American e Teck Resources, também impulsiona as negociações entre Rio Tinto e Glencore.
A alta do preço do cobre, atingindo um recorde histórico, aumenta a visibilidade das oportunidades de valorização na Vale.
Analistas destacam que a Vale ainda é negociada a múltiplos baixos, como se a empresa fosse apenas uma produtora de minério de ferro. A megafusão pode impulsionar a empresa a buscar oportunidades em metais básicos, como cobre e níquel, para destravar valor e atender à crescente demanda por minerais ligados à transição energética.
A execução dessas estratégias é fundamental para garantir o futuro da Vale em um cenário de consolidação no setor.
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