Ursula von der Leyen anuncia acordo histórico entre Mercosul e União Europeia, em cerimônia no Paraguai. União Europeia e Mercosul firmam tratado em busca de “comércio justo”
Em 17 de janeiro de 2026, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um marco histórico: o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A cerimônia, realizada no Paraguai, no mesmo local onde foi firmado o tratado fundador do Mercosul, simbolizou uma decisão deliberada em favor de um “comércio justo”, em oposição a tarifas, rivalidades e isolamento.
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A declaração da líder europeia ressaltou a importância de benefícios reais e tangíveis para os cidadãos e empresas dos dois blocos.
O acordo representa uma zona de livre comércio com potencial para unir cerca de 700 milhões de pessoas, representando quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A negociação, que durou 25 anos, busca reduzir progressivamente tarifas de importação, aumentando o comércio entre os blocos e criando oportunidades para produtos industriais europeus e produtos agropecuários sul-americanos.
A iniciativa visa estabelecer um marco regulatório baseado em regras para estimular investimentos e o fluxo de comércio, conforme enfatizado por von der Leyen.
A fala da presidente da Comissão Europeia também foi uma referência crítica ao contexto comercial mundial, influenciado pela administração do presidente dos Estados Unidos, que tem imposto tarifas de importação sobre países estrangeiros. A iniciativa europeia busca promover um multilateralismo mais justo e equilibrado, em contraposição a essa tendência.
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O acordo oferece ganhos imediatos para a indústria, com tarifas zero desde o início para diversos produtos industriais, incluindo máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos químicos e aeronaves. Além disso, as empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo, enquanto a União Europeia tem um PIB estimado em US$ 22 trilhões.
O volume comercial – soma das exportações e importações – superou US$ 100 bilhões pela primeira vez na série histórica, iniciada em 1997.
O acordo inclui compromissos ambientais obrigatórios, impedindo que produtos beneficiados pelo acordo estejam ligados a desmatamento ilegal. Além disso, as regras sanitárias e fitossanitárias são rigorosas, garantindo que os produtos importados sigam padrões de segurança alimentar.
O capítulo específico para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) visa reduzir custos e burocracia para pequenos exportadores.
A assinatura do acordo é apenas um passo formal importante. Para que o acordo entre oficialmente em vigor, ele precisa passar pela aprovação dos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto no Mercosul quanto na União Europeia. Essa etapa é fundamental para transformar o compromisso assinado em regras efetivas de comércio.
No lado sul-americano, o tratado precisará passar pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Durante os processos de ratificação, existe a possibilidade de aplicação provisória de certas partes do acordo, principalmente aquelas relacionadas à redução de tarifas.
Isso permitiria antecipar benefícios econômicos antes da ratificação completa por todas as partes envolvidas.
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