Uma reportagem publicada pelo UOL, em 24 de janeiro de 2026, conduzida pelos jornalistas Ana Paula Bimbati e Fabio Serapião, expõe um cenário envolvendo visitas de lobistas ligados à família do presidente do governo em exercício no Palácio do Planalto.
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A investigação revela que Kalil Bittar, amigo da família presidencial, e Carla Ariane Trindade, ex-nora de Luiz Inácio Lula da Silva, frequentaram o local 10 vezes entre 2023 e 2025, sem compromissos registrados em nome dos dois na agenda do Executivo.
A reportagem detalha que as visitas foram remuneradas por meio de repasses financeiros feitos pelo empresário André Gonçalves Mariano, proprietário da Life Educacional. Investigações da Polícia Federal identificaram transferências de R$ 210 mil realizadas entre 2022 e 2024, de Mariano para Bittar. O jornalista Fabio Serapião e Ana Paula Bimbati, do UOL, investigaram as movimentações financeiras.
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Detalhes das Visitas e Repasses
Em dezembro de 2023, Kalil Bittar acompanhou André Mariano em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, chefe de gabinete de Lula. A reportagem aponta que essa facilitação de acesso era paga através de repasses financeiros. André Mariano efetuou um pagamento de R$ 30.000 a Bittar dois dias após a visita ao Planalto.
Carla Ariane Trindade, identificada como “Nora” na investigação, visitou o Palácio do Planalto em 14 de maio, com acesso concedido entre 10h01 e 17h40, e viajou com André Mariano no mesmo voo, com passagens custeadas pelo empresário. Em 3 de dezembro de 2024, Carla Trindade esteve novamente no Planalto, acompanhada de Fernando de Moraes, então secretário de Educação de Hortolândia (SP), com a passagem aérea vinculada aos dados cadastrais de André Mariano.
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Contexto Político e Investigação
Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, um dos donos de um sítio em Atibaia, cidade paulista a 64 km de São Paulo, alvo de investigações durante a operação Lava Jato, onde Luiz Inácio Lula da Silva foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Lula foi condenado a 17 anos de prisão.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que receber representantes de diversos setores é parte do dever institucional dos funcionários federais. A defesa de Kalil Bittar negou que as visitas tivessem como objetivo a gestão de negócios.
A defesa de Carla Trindade classificou as visitas como “cortesia”, sem pauta técnica ou política. A defesa de Fernando de Moraes justificou os encontros informais com Marcos Cláudio, filho do presidente Lula, motivados pela amizade entre ambos.
