Crise no Irã: Distensão na crise com mediação árabe. Pressões de Arábia Saudita, Catar e Omã evitam ataque de Trump. Protestos e repressão no Irã, com bloqueio da internet
Após pressões diplomáticas de monarquias árabes como Arábia Saudita, Catar e Omã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desistiu, ao menos por enquanto, de lançar um ataque contra o Irã. A situação evoluiu nos últimos 24 horas com sinais de distensão na crise, acompanhada por movimentos similares feitos pelo regime xiita.
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A participação diplomática árabe ocorreu em razão do temor de “graves repercussões” que tal ação teria sobre a região.
Um alto funcionário saudita informou que a República Islâmica foi sacudida por protestos que começaram em 28 de dezembro, em consequência do aumento do custo de vida, que se transformaram em um movimento contra o regime teocrático no poder desde a revolução de 1979.
Organizações de defesa dos direitos humanos acusam o Irã de realizar uma repressão brutal que deixou milhares de mortos, em um país privado de acesso à internet há uma semana.
Três países do Golfo – Arábia Saudita, Catar e Omã – realizaram um esforço diplomático de última hora, longo e intenso, para convencer o presidente Trump a dar ao Irã a chance de demonstrar boas intenções. A conversa foi confirmada por um funcionário de uma monarquia do Golfo, que também enviou uma mensagem ao Irã, indicando que atacar as instalações americanas na região “teria consequências” para as relações regionais de Teerã.
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O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, advertiu que o Irã se defenderá “diante de qualquer ameaça estrangeira”, em uma conversa telefônica com seu homólogo saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, e pediu “uma condenação internacional a qualquer ingerência estrangeira”.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) também tem prevista uma reunião sobre o Irã.
A vida havia voltado ao normal em Teerã, segundo um jornalista da AFP na capital iraniana. Há vários dias não se registram grandes manifestações no país. Trump, por sua vez, afirmou: “esta é uma boa notícia. Espero que continue assim!”.
Enquanto Washington parece ter recuado de uma eventual ação militar, o Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra funcionários de segurança iranianos e redes financeiras. O Irã já é alvo de duras sanções internacionais por seu programa nuclear.
A organização especializada em segurança digital NetBlocks afirmou que o bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas já dura uma semana.
A situação de Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos, foi objeto de preocupação, mas o Irã negou que ele tenha sido condenado à morte ou possa ser executado. A Justiça iraniana declarou que, se for considerado culpado, será condenado a uma pena de prisão.
“Se for considerado culpado, será condenado a uma pena de prisão”, acrescentou o Poder Judiciário do país.
“Não haverá execuções hoje nem amanhã”, declarou Araqchi em entrevista à emissora americana Fox News.
A Casa Branca afirmou que o Irã suspendeu 800 execuções previstas para o dia anterior, em meio às ameaças de Trump, mas declarou que “todas as opções seguem sobre a mesa”, caso as autoridades iranianas matem mais manifestantes.
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