Trump e EUA podem impactar preços do petróleo com retorno à Venezuela

Trump e EUA impactam preços do petróleo com retorno à Venezuela. Brent cai 0,16% a US$ 60,75. Especialistas alertam para instabilidade e incertezas no mercado

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Impacto da Operação na Venezuela nos Preços do Petróleo

A operação conduzida pelo governo do ex-presidente americano Donald Trump na Venezuela, que culminou na captura e prisão de Nicolás Maduro, pode gerar flutuações nos preços do petróleo no curto prazo, conforme avaliam especialistas consultados pela EXAME.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A primeira sessão de negociações de 2026, realizada na sexta-feira, 2, observou uma queda de 0,16% no barril do petróleo Brent – referência internacional –, fechando a US$ 60,75.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), ressaltou que a instabilidade política na Venezuela exerce pressão sobre os preços do petróleo, especialmente no curto prazo. A Venezuela detém o maior volume de reservas provadas de petróleo do mundo, embora sua produção seja de aproximadamente 700 mil barris por dia, posicionando-a fora dos dez maiores produtores globais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O país é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Ardenghy enfatizou a insegurança gerada pelo cenário geopolítico, considerando a posição da Venezuela como fundador da Opep e possuidora de reservas gigantescas. “A instabilidade política na Venezuela adiciona uma camada de incerteza ao mercado mundial do petróleo”, declarou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

LEIA TAMBÉM!

Sergio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), complementou que o setor é altamente sensível a eventos geopolíticos, sujeito a especulação e, portanto, passará por movimentações de preços no curto prazo.

Ele previu um aumento nos preços com a abertura do mercado asiático, estimando um impacto de até três dias, dependendo da clareza da situação política venezuelana.

Impacto Médio-Termino Depende dos EUA

Em coletiva de imprensa no sábado, o presidente americano prometeu reativar a infraestrutura do setor petrolífero venezuelano, danificada por anos de sanções. Ele anunciou a retomada das operações de empresas americanas no país, e que as exportações de petróleo venezuelano seriam mantidas, com potencial de aumento do volume.

Fontes do portal Politico informaram que o governo americano oferece às petroleiras a recuperação de ativos confiscados em troca de investimentos no setor. Ardenghy acredita que a volta das petroleiras americanas levará tempo para gerar efeito no mercado, devido ao sucateamento da indústria venezuelana.

Análise de Dan Kawa

Dan Kawa, economista e especialista em fundos de investimentos, avaliou em análise publicada no X que o controle do setor de petróleo pelos EUA pode resultar em maior oferta de óleo no mercado global, com potencial de queda nos preços no médio prazo.

Ao reduzir riscos políticos e interrupções, o “prêmio geopolítico” embutido no preço do petróleo seria comprimido, gerando estabilidade para cadeias energéticas alinhadas aos EUA.

Avaliação de Sergio Araújo

Araújo, da Abicom, ressaltou que o impacto dependerá da atuação dos Estados Unidos na região e da relação com o governo venezuelano. “É cedo para especulações”, afirmou.

Combustíveis no Brasil Não Serão Afetados

Segundo os analistas, a situação atual não deve gerar impacto imediato nos preços dos combustíveis no Brasil. Ardenghy afirmou que, mesmo com uma leve alta esperada no Brent, os reflexos serão pontuais e restritos a refinarias privadas. “Não haverá repasse de preço ao consumidor”, declarou.

Ardenghy destacou que o custo de transporte do petróleo pode sofrer pressões, com aumento no frete e seguro dos navios que passam próximos à Venezuela.

Sair da versão mobile