Governo Trump desmantela políticas climáticas, mas sustentabilidade corporativa se reinventa com foco em dados e gestão de riscos. Empresas como Nvidia e Unilever mudam estratégias
Após a volta de Donald Trump à Casa Branca em 2025, o governo federal dos Estados Unidos implementou um desmantelamento sistemático das políticas climáticas. Essa ação se manifestou através do cancelamento de US$ 13 bilhões em projetos de energia renovável e da eliminação de subsídios para veículos elétricos.
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Inicialmente, o temor era de um efeito cascata global, capaz de paralisar décadas de avanços em sustentabilidade. No entanto, o cenário que se delineou apresentou um caráter paradoxal.
Apesar dos impactos significativos causados pela hostilidade da maior economia do mundo – com um despencamento de 36% nos investimentos em renováveis – a sustentabilidade corporativa não apenas sobreviveu, como também encontrou novos caminhos de resiliência.
Essa dinâmica impôs uma reviravolta radical no perfil e nas atribuições dos líderes de sustentabilidade.
Empresas em todo o mundo passaram a demandar informações financeiras precisas e auditáveis sobre seus planos climáticos, abandonando a era das narrativas “inspiradoras” e de relatórios focados em reputação externa. Uma análise do Financial Times, com mais de 220 empresas americanas, endossou essa mudança de foco.
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Líderes que antes atuavam apenas como articuladores estratégicos ou porta-vozes da agenda ESG tornaram-se vulneráveis. Aqueles sem capacidade técnica para produzir métricas detalhadas e dados financeiros concretos foram dispensados, enquanto suas equipes foram absorvidas por departamentos de finanças, auditoria, compliance e relações com investidores.
Essa mudança estrutural se refletiu no aumento da proporção de CSOs que passaram a se reportar à área jurídica, de 10% para 21%.
A pressão por dados financeiros e a materialidade econômica dos riscos climáticos impulsionaram uma nova abordagem. Empresas como a Nvidia, Unilever e UBS reconfiguraram suas equipes, buscando profissionais com expertise técnica em métricas ambientais, capacidade de traduzir riscos climáticos em linguagem financeira e habilidade para dialogar com CFOs e auditores.
Essa tendência de “double-badging”, que consiste em acumular responsabilidades de sustentabilidade com outras funções executivas, tornou-se mais comum.
A reinvenção da agenda ESG, imposta pela materialidade dos riscos climáticos, representa uma maturação para os CSOs. Sai de cena o evangelizador corporativo que vendia visões inspiradoras de futuro sustentável, para dar protagonismo ao especialista técnico que desenha estratégias operacionais e que dialoga em pé de igualdade com executivos financeiros.
A sustentabilidade deixou de ser uma questão de “marketing” para se tornar uma questão de gestão de riscos e valor estratégico.
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