Trump e o Fórum Econômico Mundial: Uma Nova Dinâmica em Davos
A presença do ex-presidente Donald Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, nesta semana, marca um ponto de inflexão nas dinâmicas do evento. Com a maior delegação americana já vista, Trump impõe uma condição que desafia as tradições do encontro: a exclusão da pauta climática das discussões bilaterais e compromissos oficiais.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa postura, obtida através de uma fonte do Itamaraty, demonstra uma ruptura com o discurso globalista que historicamente permeou o Fórum. A ausência da ministra Marina Silva e do embaixador André Corrêa do Lago, programados para participar de painéis sobre mudanças climáticas, evidencia a formalização dessa exclusão.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O cancelamento da participação de figuras como Marina Silva e André Corrêa do Lago, inicialmente programadas para discutir temas como “Como podemos evitar uma recessão climática”, reflete uma realidade preocupante para os defensores da agenda ambiental.
A decisão, justificada pela “lesão na coluna” da ministra, é vista como um reconhecimento de que, pela primeira vez em décadas, a questão climática foi formalmente excluída dos espaços onde decisões globais são tomadas. A priorização de temas como inteligência artificial e criptomoedas, em detrimento da ciência climática, intensifica essa percepção.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
O contraste entre a postura do Fórum e a presença de figuras como Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico da Amazônia, que tentou garantir o “white badge”, o acesso mais exclusivo em Davos, é simbólico e político. Nobre, que participou de uma conversa na Brazil House, mas não conseguiu o acesso, avalia que a mudança de postura do Fórum reflete um movimento mais amplo. “Isso se torna essencial agora porque o super negacionista quer destruir toda a energia renovável do planeta”, afirma, referindo-se a Trump.
Essa avaliação ressalta a crescente preocupação com a ameaça de retrocesso ambiental.
As projeções futuras, conforme revelado no relatório Global Risk Report 2026 do Fórum, indicam uma mudança significativa na priorização de riscos globais. Em 2036, eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso de ecossistemas retornam à primeira posição, enquanto os confrontos geoeconômicos perdem força.
Essa inversão de prioridades reflete um cenário de crescente incerteza e instabilidade, impulsionado por fatores como a multipolaridade, o protecionismo e o colapso de mecanismos multilaterais. A crescente preocupação com a segurança energética e a “turbulência” nos próximos anos, conforme expressa o pessimismo dos líderes globais, reforça a necessidade de abordar os desafios ambientais com urgência.
