Escalada de Tensão entre Executivo e Banco Central dos EUA
O governo dos Estados Unidos, liderado pelo então presidente Donald Trump, aumentou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, através de ameaças de acusações criminais contra Jerome Powell, o presidente da instituição.
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O Departamento de Justiça enviou notificações ao Fed relacionadas ao depoimento prestado por Powell ao Comitê Bancário do Senado no ano anterior, conforme reportado pelo Wall Street Journal. A investigação, iniciada em novembro, é conduzida pelo escritório da procuradora federal de Washington, Jeanine Pirro, uma aliada próxima de Trump.
A investigação abrange o depoimento de Powell e registros de gastos do Fed. Um porta-voz do Departamento de Justiça declarou à Reuters que a procuradoria-geral orientou promotores a priorizarem investigações sobre possíveis abusos de recursos públicos.
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Essa ação ocorre em meio a uma longa campanha de Trump para obter maior controle sobre o Federal Reserve.
Pressão da Casa Branca sobre Política de Juros
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem responsabilizado a política monetária pelo desempenho econômico, argumentando que as taxas de juros estavam excessivamente altas. Em entrevista à NBC News, Trump afirmou não ter conhecimento das intimações do Departamento de Justiça.
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Ele complementou dizendo: “Não sei nada sobre isso, mas ele [Powell] certamente não é muito bom no Fed, e não é muito bom em construir prédios”.
Em outra declaração à NBC, Trump afirmou que não usaria investigações criminais para pressionar o Fed. “Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de que os juros estão altos demais. Essa é a única pressão que existe”, disse.
Declaração de Jerome Powell sobre a Investigação
Powell, em um pronunciamento, afirmou que a investigação é um pretexto para pressionar o Fed a reduzir os juros e limitar sua independência. “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela prestação de contas em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Federal Reserve — está acima da lei.
Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua da administração”, disse.
Powell afirmou ainda: “Essa nova ameaça não tem a ver com meu depoimento de junho passado nem com a reforma dos prédios do Federal Reserve. Não tem a ver com o papel de fiscalização do Congresso. Esses são pretextos”. Segundo ele, “a ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir os juros com base na melhor avaliação do que serve ao público, e não seguindo as preferências do presidente”.
Independência do Federal Reserve em Debate
A imprensa americana destaca que o caso levanta questionamentos sobre a independência do Federal Reserve, considerada um pilar da política econômica dos Estados Unidos. Powell afirmou que o ponto central da disputa é se o Fed poderá continuar definindo juros com base em dados e condições econômicas, ou se a política monetária passará a ser direcionada por pressão política ou intimidação.
Ele disse ainda: “Servi no Federal Reserve sob quatro administrações, republicanas e democratas. Em todos os casos, cumpri meus deveres sem medo ou favorecimento político”.
Reação dos Mercados Financeiros
Os mercados reagiram imediatamente à escalada do conflito. O dólar registrou sua maior queda em três semanas. O ouro atingiu um recorde histórico. Os futuros das bolsas americanas recuaram, e o mercado passou a precificar uma chance maior de cortes de juros no curto prazo.
Segundo o Wall Street Journal, os futuros do S&P 500 caíram cerca de 0,5%. O ouro subiu cerca de 2%, atingindo US$ 4.589 por onça.
Mandato de Powell
Powell foi indicado para a presidência do Fed pelo próprio Trump em 2018. Embora ele possa permanecer no conselho do Fed até 2028, o presidente da instituição afirmou que uma eventual investigação criminal não afetará sua capacidade de seguir no cargo até o fim do mandato.
Além disso, a Suprema Corte americana deve analisar ainda neste mês o caso envolvendo a tentativa de Trump de demitir a diretora do , indicada pelo ex-presidente Joe Biden.
