Tribunal Chinês Protege Trabalhador Contra Demissão por IA em Caso Zhou

Tribunais Chineses Protegem Trabalhadores Contra Substituição por IA
Tribunais chineses estabeleceram um precedente importante para os direitos trabalhistas diante da crescente automação no setor de tecnologia. Decidiram que empresas não podem demitir funcionários simplesmente para substituí-los por inteligência artificial com o objetivo de reduzir custos.
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Essa decisão surgiu após uma disputa trabalhista envolvendo uma empresa de tecnologia e um funcionário, Zhou, que trabalhava na garantia de qualidade de frases geradas por modelos de linguagem de IA.
Caso Zhou: Demissão Ilegal por Redução Salarial
A empresa de tecnologia tentou realocar Zhou e reduzir seu salário de 25.000 yuans para 15.000 yuans, alegando a necessidade de otimização devido aos avanços da IA. Quando Zhou rejeitou o corte salarial, a empresa o demitiu. O trabalhador buscou arbitragem e exigiu indenização por demissão injusta.
O painel de arbitragem deu razão a Zhou, levando a empresa a entrar com uma ação judicial no Tribunal Distrital de Yuhang.
Princípios Legais e Decisão do Tribunal
O tribunal considerou que substituir um funcionário apenas porque a IA poderia realizar o trabalho a um custo menor não se enquadra em motivos legalmente permitidos para demissão. Além disso, não houve uma “mudança objetiva substancial” que tornasse o cumprimento do contrato impossível.
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O tribunal decidiu que a proposta de salário reduzido não era uma oferta de negociação razoável, declarando a demissão ilegal e ordenando a empresa a pagar uma indenização.
Protegendo os Trabalhadores do Algoritmo
A legislação trabalhista chinesa restringe a rescisão unilateral por parte do empregador, permitindo apenas em casos de consentimento mútuo, má conduta do trabalhador ou situações de incompetência. As empresas também devem notificar o empregado com 30 dias de antecedência ou pagar uma indenização equivalente a um mês de salário em caso de mudança objetiva importante e imprevisível.
O Tribunal Intermediário de Hangzhou enfatizou que a integração da IA é uma estratégia de negócios proativa, mas a empresa deve salvaguardar os direitos legais dos funcionários.
Recomendações do Tribunal
O tribunal aconselhou que, se a reestruturação da IA for necessária, as empresas devem priorizar o treinamento de seus funcionários para funções mais avançadas. Se a realocação de funcionários for inevitável, as empresas devem oferecer propostas razoáveis e compensar os custos adicionais de deslocamento ou moradia.
Os trabalhadores são incentivados a aprimorar suas habilidades para se adaptarem à era da IA.
Casos Anteriores e a Importância da Imprevisibilidade
O Departamento de Recursos Humanos e Segurança Social de Pequim destacou uma disputa trabalhista semelhante relacionada à IA em 26 de dezembro de 2025, envolvendo um coletor de dados chamado Liu. A empresa demitiu Liu após mudar completamente para a coleta de dados automatizada, alegando que a mudança representava uma mudança objetiva e significativa nas circunstâncias.
O Tribunal Superior de Pequim e os tribunais arbitrais locais definiram essas mudanças significativas como eventos imprevisíveis fora do controle do empregador.
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