Transire expande atuação internacional com foco na América Latina e Europa

A Transire, fundada em Manaus, consolidou-se como grupo de pagamentos, produzindo mais de 48 milhões de maquininhas. Atualmente, a empresa, liderada por Fernando Otani, busca expansão internacional, com foco na América Latina, e um faturamento anual de R$ 2 bilhões

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(Imagem de reprodução da internet).

Transire: Uma História de Inovação e Expansão no Mercado de Pagamentos

A Transire, fundada há apenas uma década na Zona Franca de Manaus, consolidou-se como um importante grupo de meios de pagamento no Brasil, destacando-se pela fabricação de maquininhas. Desde sua criação, a empresa alcançou um feito notável: a produção de mais de 48 milhões de dispositivos.

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Atualmente, a Transire inicia um novo ciclo estratégico, focado no reposicionamento internacional e na entrada em novos mercados, impulsionado por uma produção concentrada em Manaus, aproveitando os incentivos fiscais da Zona Franca, e um escritório em São Paulo, que atende desde pequenas até grandes empresas.

“Hoje nos consolidamos como fornecedora de tecnologia para todos os grandes adquirentes e bancos do país”, afirma Fernando Otani, vice-presidente de Negócios da Transire, que estima que cerca de 75% dos terminais de pagamento do varejo brasileiro foram fabricados em suas fábricas.

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A empresa possui um faturamento anual de R$ 2 bilhões de reais, produzindo aproximadamente 4 milhões de maquininhas por ano, com uma média mensal de cerca de 350 mil dispositivos. A Transire atende a um amplo espectro de clientes, desde microempreendedores até operações de alto padrão.

Origens e Aprendizado

A trajetória da Transire começou como representante de marcas internacionais, como a Pax, cujos dispositivos foram amplamente difundidos no varejo nacional. Ao longo do tempo, a empresa passou por um processo de aprendizado profundo sobre o mercado brasileiro.

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Segundo Otani, essa experiência resultou na decisão de criar uma marca própria. “Nos últimos 10 anos aprendemos muito com o varejo brasileiro, com os clientes e com a operação. Essa tropicalização passa por customização de produto”, diz.

A empresa adaptava maquininhas de sucesso na China ou nos Estados Unidos para atender às necessidades específicas do mercado brasileiro.

A nova marca, batizada de Zire, surge com propriedade intelectual própria, desenvolvimento integral no Brasil e direito global de produção e comercialização. “Essa não é uma máquina adaptada. Desenvolvemos do zero. A propriedade intelectual é nossa, com direito global de comercialização e produção”, afirma o executivo.

Expansão Internacional

A criação da marca própria abriu caminho para a internacionalização, algo que antes era inviável quando a empresa atuava apenas como representante de marcas globais. “Enquanto representávamos essas marcas, não existia um caminho para internacionalizar, porque elas já tinham presença global.

A partir dessa decisão, isso abre um corredor importante para a gente internacionalizar a companhia”, diz Otani. A estratégia inicial se concentra na América Latina, com a Argentina como primeiro hub operacional.

A Argentina é a primeira operação montada, atendendo uma região ampla. Em seguida, a empresa planeja o lançamento da operação no México ainda no segundo semestre. Na Europa, a Transire já possui negócios fechados em dez países, com o primeiro hub sendo estruturado em Portugal.

Outro país que aparece na lista de internacionalização da companhia são os Estados Unidos.

Diferentemente do Brasil, onde a produção é local, os dispositivos destinados ao mercado internacional serão fabricados em parceria com uma planta na China, de onde são exportados para os demais países.

Novo Ciclo de Crescimento

A expansão internacional surge também como resposta à maturidade do mercado brasileiro de adquirência. “O mercado ficou muito maduro, com muitos players. Hoje ele demanda mais eficiência, e isso representa diminuição de volume. A expansão internacional vem exatamente para equalizar isso e nos devolver uma curva de crescimento em dispositivos e receita”, afirma Otani.

Mais do que crescer em hardware, a Transire também passa por uma transformação de posicionamento.

“O maior desafio de 2026 não é só crescer em receita, mas deixar de ser uma empresa apenas de hardware e passar a ser uma empresa de software, soluções e ecossistema completo”, diz Otani. A estratégia envolve a expansão de soluções digitais, integração de serviços e desenvolvimento de plataformas específicas para diferentes segmentos do varejo. “Hoje, a máquina que atende um restaurante não pode ser a mesma que atende uma lavanderia.

A gente se especializou em tornar isso simples e rápido de colocar no mercado”, afirma.

PIX: uma ameaça ou um apoio? Mesmo com a ascensão do Pix, a Transire não viu retração no uso de maquininhas. Pelo contrário. “O Pix no varejo tem sido massificado através das adquirentes e das maquininhas. Para nós, não teve impacto negativo — teve impacto positivo, porque democratizou o pagamento digital”, diz.

O perfil de empresas que compram maquininhas varia – de microempreendedor até operações premium. “Fazemos a maquininha para o pequeno e grande empreendedor. Tem desde a máquina mais acessível até a super premium, com tela grande, mais bateria e aplicações integradas”, afirma.

Além do food service — hoje o principal segmento da empresa — novos mercados começam a surgir, como lavanderias de autoatendimento e mercados autônomos em condomínios. “São mercados que não existiam no nosso planejamento e estão aparecendo como novos ‘clientes’ promissores”, diz.

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