Torcedor Brasileiro: Surpreendente Estudo Revela 5 ‘Países’ de Paixão no Futebol

Novas Revelações Sobre o Comportamento do Torcedor Brasileiro
O futebol brasileiro, conhecido por sua paixão e diversidade, apresenta nuances que vão além da simples torcida. Um estudo recente, desenvolvido pela agência SUBA, lança luz sobre essa complexidade, revelando que o país não pode ser tratado como um único mercado para estratégias de marketing esportivo.
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O levantamento, intitulado “Brasil: O País do Torcedor”, analisou mais de 5.700 vídeos publicados no TikTok entre janeiro e abril de 2026, buscando entender os padrões de comportamento, a linguagem e o consumo de futebol nas cinco regiões do Brasil.
A metodologia utilizada pela SUBA é inovadora, combinando análise semiótica, processamento de linguagem natural (NLP) e etnografia digital. Isso permitiu examinar cada vídeo em profundidade, considerando elementos como áudio, leitura de texto por OCR, análise de cena, sentimento e intensidade emocional.
O resultado foi um mapa comportamental segmentado por região, indicando que “não existe um Brasil que torce. Existem cinco”. Essa descoberta desafia a visão tradicional de um torcedor homogêneo e abre novas possibilidades para as marcas que buscam se conectar com o público apaixonado pelo esporte.
Análise Regional Detalhada
O estudo identificou seis arquétipos de criador-torcedor, com distribuição desigual pelo território. No Nordeste, por exemplo, a análise tática se destaca, com uma frequência 3,5 vezes superior à média nacional, evidenciando um comportamento orientado à leitura de jogo e à interpretação estratégica das partidas.
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Essa região se concentra em termos como “pressão alta”, “diagonal” e “posse de bola”, demonstrando um interesse profundo pelas nuances do esporte.
Em contraste, na região Sul, a rivalidade entre clubes é o principal motor de engajamento. Os vídeos frequentemente mencionam o time adversário, com mais de uma menção por vídeo, e 28% deles apresentam o uso de camisas oficiais, refletindo a forte dimensão de identidade clubística.
O futebol é tratado de forma contínua ao longo do ano, sustentado pela disputa local entre rivais.
Linguagem e Identidade Regional
O Norte apresenta uma combinação única entre sentimento e polarização, com o menor índice de sentimento positivo da amostra e a maior taxa de polarização. O futebol, nesse contexto, está associado a temas de pertencimento, reconhecimento e identidade regional, conectando-se a narrativas mais amplas sobre visibilidade e inserção no país.
A Copa do Mundo, nesse cenário, funciona como um momento de integração nacional explícita.
No Sudeste, o estudo identifica um padrão de linguagem caracterizado por 71% de conteúdos com tom irônico. Essa ironia funciona como um código de comunicação, articulando distanciamento e engajamento ao mesmo tempo, e está associada ao arquétipo do “memeiro” e à circulação de conteúdos que misturam esporte com elementos da cultura digital.
O domínio do repertório simbólico do futebol aparece como parte da construção de status dentro dessas interações.
Comportamento no Centro-Oeste
O Centro-Oeste se posiciona como a região que mais se aproxima de um padrão médio, com uma distribuição equilibrada entre os diferentes indicadores. A região registra a maior presença física em estádios e apresenta uma linguagem mais comedida em comparação com outras regiões, sendo classificada pela SUBA como um “perfil síntese”.
Implicações para o Marketing Esportivo
Maílson Dutra, vice-presidente de data e performance da SUBA, destaca a principal contribuição do estudo: a granularidade da análise. “Cada vídeo foi dissecado em múltiplas camadas”, afirma. “Não assistimos aos vídeos, nós os destrinchamos”.
A SUBA enfatiza que tratar o país como um bloco homogêneo pode levar ao desperdício de recursos e oportunidades, e que marcas que considerarem as diferenças regionais e comportamentais terão maior sucesso em suas campanhas.
O estudo também aponta para uma dinâmica temporal relevante. A Copa do Mundo cria uma janela de unidade nacional genuína, mas com prazo de validade. Saber quando o país está unido e quando ele volta às suas identidades regionais é o que separa uma estratégia que dura o torneio inteiro de uma que dura só a fase de grupos.
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