Ministro Toffoli Afasta-se de Inquérito do Banco Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, retirou-se da relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master nesta quinta-feira (12). A decisão veio após a Polícia Federal (PF) enviar um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, detalhando uma perícia realizada no celular do executivo da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
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Os ministros do STF se reuniram em fechado após a sessão, e o anúncio de Toffoli ocorreu logo em seguida.
Desacordo e Pressão nos Ministros
A Jovem Pan apurou que o ministro argumentou com seus colegas, alegando não ver motivos para deixar a relatoria do caso. No entanto, ele se viu isolado e acabou cedendo à pressão dos demais ministros. A avaliação que surgiu entre os membros da corte é que a atuação de Toffoli no caso está gerando um desgaste desnecessário para o Supremo Tribunal Federal.
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Solicitação de Suspeição e Defesa de Toffoli
O documento enviado pela Polícia Federal a Fachin continha informações sobre trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Em um dos trechos, ambos mencionam o sobrenome Toffoli. Segundo a PF, os pagamentos seriam referentes à compra do Tayaya Resort, onde a Maridt Participações tinha participação societária.
Toffoli e seus dois irmãos são sócios da Maridt.
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Negativas de Toffoli e Defesa do Vínculo
Em nota, Toffoli afirmou na quarta-feira (11) que o pedido de suspeição se tratava de “ilões”. Com base no artigo 145 do Código de Processo Civil, o magistrado argumentou que a Corte não tem legitimidade para fazer a solicitação. Ele ainda declarou que a resposta ao relatório será apresentada ao presidente do STF.
Toffoli negou ter “qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Vorcaro ou Zettel. Ele também afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” dos dois.
A Maridt Participações e o Vínculo Familiar
Toffoli declarou que a Maridt Participações é uma “empresa familiar constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado”. Sustentado na Lei Orgânica da Magistratura, o ministro disse que integra o quadro de sócios da companhia, mas a administração é feita por seus familiares.
O magistrado relatou que a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025.
Histórico do Caso Banco Master
Em nota, Toffoli afirmou que essa participação foi encerrada por meio de “duas operações sucessivas, sendo a primeira, a venda de cotas do Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021” e a segunda, ao PHD Holding, na data do fim do vínculo com o resort. “A ação referente à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro Dias Toffoli em 28 de novembro de 2025.
Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, comunicou o gabinete.
Contexto do Caso Banco Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, foi liquidado. Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Will Bank, liquidado em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF. Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o recolhimento do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank.
O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
