O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), alterou diversas vezes suas decisões em relação ao andamento da investigação sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Pelo menos três mudanças foram registradas em um curto período de tempo.
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Inicialmente, na manhã de quarta-feira (14), após a operação policial, Toffoli ordenou que a Polícia Federal recolha todos os bens, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos, mantendo-os sob custódia no tribunal, sem acesso externo, aguardando nova determinação judicial.
O gabinete do ministro justificou a medida como essencial para a preservação das provas, que seriam submetidas a perícia pelas autoridades competentes. No entanto, a decisão gerou questionamentos entre os investigadores.
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Reações e Solicitações de Revisão
Poucas horas depois, diante da preocupação dos investigadores sobre o acesso remoto aos dispositivos eletrônicos, o gabinete de Toffoli direcionou a Polícia Federal a centralizar as provas no Supremo Tribunal Federal. Essa determinação provocou uma reação imediata de delegados da Polícia Federal, que expressaram surpresa e defenderam a necessidade de extrair os dados prontamente, para evitar a perda de informações e prejuízo à investigação.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, formalizou um pedido de reconsideração ao ministro Toffoli. Além disso, surgiram dúvidas técnicas sobre a capacidade do STF de realizar o procedimento de perícia.
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também solicitou a revisão da determinação, argumentando que a análise das provas deveria ser feita pela Procuradoria-Geral da República, devido à necessidade de formação de opinião ministerial e à participação dos alvos da investigação.
Toffoli acolheu o pedido do procurador-geral, revertendo a decisão inicial.
Novo Movimento e Acesso Compartilhado
Em um novo movimento, Toffoli autorizou que a Polícia Federal também tivesse acesso ao material apreendido, mesmo que estivesse sob custódia na Procuradoria-Geral da República. O ministro nomeou quatro peritos da Polícia Federal para acompanharem a extração de dados e a perícia.
Investigação e Alvos da Operação
A operação, denominada Compliance Zero, foi a segunda fase de uma investigação que envolveu a busca e apreensão de bens em cinco estados, resultando no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em ativos, incluindo veículos de luxo, relógios e dinheiro em espécie.
Os investigados incluem o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, seus familiares e empresários ligados a fundos de investimento.
A investigação apura crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Além disso, a PF investiga possíveis operações financeiras fraudulentas entre o Banco Master e fundos da Reag Trust, empresa suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados à operação Carbono Oculto, que apura conexões entre o setor de combustíveis, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas financeiras.
