TikTok enfrenta acusações de censura e vigilância após mudança no controle. Usuários relatam supressão de conteúdo crítico e coleta de dados sensíveis. A empresa investiga
Poucos dias após a mudança no controle majoritário do TikTok nos Estados Unidos, a plataforma enfrentou uma série de acusações que questionam a promessa de maior transparência e segurança. Usuários alegam que a plataforma censura conteúdo político, expande a coleta de dados e limita a liberdade de expressão, apesar do acordo de segurança nacional.
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A reação foi imediata. Dados da Sensor Tower indicam que, nos primeiros cinco dias após o fechamento do negócio, o número médio diário de desinstalações do aplicativo aumentou 150% em comparação com o período anterior. Esse movimento coincidiu com críticas nas redes sociais e fóruns online.
O acordo, avaliado em 14 bilhões de dólares, transferiu 80,1% do controle do TikTok nos EUA para um consórcio de investidores liderado por Larry Ellison. A ByteDance manteve 19,9% do controle. A nova estrutura foi apresentada como forma de manter o aplicativo funcionando e proteger dados, mas rapidamente gerou questionamentos.
Uma reclamação central envolveu os novos termos de serviço, que permitiam apenas a aceitação, sem opção de recusa, sob risco de o aplicativo deixar de funcionar.
O texto autorizava a coleta de dados sensíveis, como raça e status migratório, gerando forte reação. Especialistas ressaltam que práticas semelhantes existiam antes da mudança de controle.
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Acusações graves dizem respeito à moderação de conteúdo. Usuários relataram que vídeos críticos ao ICE e à morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes de imigração em Minneapolis, não eram publicados ou tinham alcance reduzido. O TikTok atribuiu o problema a uma falha técnica causada por uma queda de energia em um data center, explicação que não convenceu parte do público.
Um episódio ganhou destaque: usuários relataram a impossibilidade de enviar mensagens diretas contendo a palavra “Epstein”, levantando suspeitas de censura relacionada a referências a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e associado a figuras poderosas.
A empresa afirma estar investigando o problema, sem detalhar a causa.
A controvérsia provocou reação política. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou que vai apurar se o TikTok violou leis estaduais ao suprimir conteúdo crítico ao presidente Donald Trump e a políticas do governo federal, o que poderia configurar censura ilegal.
Apesar do aumento nas desinstalações, o número de usuários ativos do TikTok nos EUA permaneceu estável.
O episódio expõe uma contradição no debate público: ao se tornar majoritariamente controlado por investidores americanos, o TikTok afastou o temor da influência chinesa, mas enfrenta acusações de censura e vigilância relacionadas à política interna dos EUA.
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