TikTok e Redes Sociais: Desinformação Ameaça Saúde Mental de Jovens

Desinformação em redes sociais causa alerta sobre saúde mental! Estudo aponta que 56% das informações sobre ansiedade e TDAH estão erradas. TikTok lidera

16/06/2026 01:20

4 min

TikTok e Redes Sociais: Desinformação Ameaça Saúde Mental de Jovens
(Imagem de reprodução da internet).

Redes Sociais e a Complexidade da Saúde Mental: Desafios e Riscos

As redes sociais se tornaram um espaço de consulta improvisado para milhões de jovens que buscam respostas sobre questões como ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo e outros transtornos mentais. No entanto, uma grande parcela dessas informações pode ser imprecisa, com um estudo publicado em março no Journal of Social Media Research revelando que até 56% dos conteúdos sobre saúde mental em plataformas como TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X apresentavam erros ou falta de fundamento.

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O TikTok, em particular, se destacou como o principal foco de desinformação, com vídeos sobre TDAH apresentando 52% e 41% de erros, concentrando 34,56% da desinformação sobre saúde mental e neurodivergência na média geral.

Pesquisadores apontam que fatores específicos das plataformas, como algoritmos e a moderação de conteúdo, podem contribuir para a disseminação de informações incorretas. Uma pesquisa de 2025, conduzida com 490 estudantes universitários de Nova York, investigou os efeitos do conteúdo do TikTok no conhecimento sobre TDAH, no estigma e nas intenções de busca por tratamento.

Os resultados indicaram que a exposição à desinformação diminui o conhecimento correto sobre o transtorno e intensifica a vontade de buscar tratamento, mesmo sem comprovação científica.

Impactos da Desinformação e a Importância do Diagnóstico Profissional

O psiquiatra Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita, ressalta que a compressão da ciência em formatos de poucos segundos, como vídeos curtos, pode levar a distorções no diagnóstico.

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Ele observa uma tendência de romantização ou banalização do diagnóstico, impulsionada pela desinformação nas redes sociais. Muitos pacientes chegam com hipóteses fechadas baseadas em vídeos, o que pode resultar em aumento da ansiedade, busca por tratamentos inadequados e frustração com intervenções ineficazes.

A psicóloga Karen Szupszynski, professora da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), destaca que a exposição a narrativas emocionais e de fácil conexão, comuns em conteúdos curtos, pode ser especialmente impactante para jovens em busca de identidade e validação social.

Além disso, a desinformação pode levar a consequências como autodiagnósticos errados, discriminação antecipatória e atraso na busca por atendimento profissional.

Diferenciação Clínica e a Importância da Avaliação Profissional

Zoldan enfatiza que a diferenciação clínica de quadros exige a análise da intensidade dos sintomas, sua persistência ao longo do tempo e o impacto funcional na vida do paciente. Lapsos atencionais que não geram impacto no cotidiano não são um TDAH, da mesma forma que dificuldades ocasionais em sociabilização que não trazem repercussão funcional não são um TEA nível 1 de suporte. “O risco das redes sociais é transformar traços cotidianos em marcadores centrais de um diagnóstico, apagando conexões essenciais que diferenciam problemas de transtornos”, alerta Szupszynski.

Ambos os especialistas recomendam desconfiar de vídeos que prometem diagnósticos rápidos ou utilizam fórmulas como “se você faz X, então tem Y”. Conteúdos mais seguros reconhecem limites e nuances, citam fontes verificáveis e diferenciam características comuns de transtornos, além de mencionar o impacto funcional, recomendar avaliação profissional e evitar certezas absolutas.

Priorizar conteúdos de fontes confiáveis e profissionais qualificados é fundamental para evitar conclusões baseadas em vídeos curtos.

Conclusão: Responsabilidade e o Papel das Redes Sociais

As redes sociais podem ser uma porta de entrada para informação e reflexão, mas não substituem a consulta, a escuta clínica e o diagnóstico profissional. O TikTok, em nota enviada à Agência Einstein, reconheceu o valor da plataforma como espaço de diálogo sobre saúde e neurodiversidade e informou que incentiva usuários a procurar aconselhamento médico profissional.

A empresa também detalhou medidas como a remoção proativa de conteúdos que violam diretrizes sobre desinformação e o uso de parceiros independentes de checagem de fatos e um banco de dados de alegações previamente verificadas.

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