The Economist revelou ligações polêmicas entre o STF, Congresso Nacional e o Banco Master, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, ligado ao Centrão, teria tentado bloquear investigações. O ministro Alexandre de Moraes e o senador Fabiano Zettel (PP/PI) também estão sob suspeitas, conforme investigações da The Economist e do Poder360
A revista britânica The Economist publicou, na quinta-feira (22 de janeiro de 2026), um extenso relatório sobre o colapso do Banco Master, um caso que envolveu figuras do poder legislativo, judiciário e do setor financeiro brasileiro. A investigação da revista expôs conexões entre políticos, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, além de suspeitas de irregularidades envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo a The Economist, a situação prejudica a reputação do STF e do Congresso Nacional. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus –indicado pelo Congresso– defendeu que o Banco Central atuou com “pressa” na decisão de liquidação extrajudicial.
Um procurador sênior que trabalha no caso à revista expressou preocupação com a “interferência” na autoridade do Banco Central.
A revista detalhou os laços de Jhonatan de Jesus com o Centrão, um grupo de partidos ideologicamente “voláteis” e com histórico de corrupção. Os políticos deste grupo teriam protegido o Master antes de sua falência. O senador e presidente do PP (PI), (PI), teria tentado bloquear uma investigação do Congresso sobre as transações do Banco Master.
O congressista teria pressionado pela aprovação de um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o presidente do Banco Central.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A Economist declarou que o governador do Distrito Federal, (MDB), defendeu veementemente a aquisição pelo BRB mesmo com alertas sobre o Banco Master. A revista relata ainda que o celular de Vorcaro mostra ligações com o poder. O banco havia assinado um contrato de 3 anos com um escritório de advocacia da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
O valor do contrato é visto como acima dos padrões por um especialista em direito que concedeu entrevista à Economist.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria se encontrado “diversas vezes” com Moraes antes da liquidação do Master, diz a revista. Moraes e Viviane negam irregularidades. O ministro afirmou que não se encontrou com o presidente do BC para tratar sobre o caso do Master.
A PGR (Procuradoria Geral da República) determinou o arquivamento de um pedido de investigação sobre a possível atuação do ministro no caso Master. Não tinha “qualquer ilicitude que justifique a investigação”, o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A Economist disse que o “comportamento autoritário” do ministro levantou suspeitas. Como antecipou o Poder360, Moraes abriu uma contra a Receita Federal para apurar vazamento de informações sobre o contrato. O ministro Dias Toffoli arquivou investigações anticorrupção envolvendo a elite de Brasília.
O magistrado teria viajado em jatinho com um advogado do Banco Master quase ao mesmo tempo em que o sistema de sorteio do STF o designou para ser relator do caso.
Posteriormente, descobriu-se que o sr. [Fabiano] Zettel (cunhado de Vorcaro) havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que pertencia aos irmãos do Sr. Toffoli. Não há provas de que o Sr. Toffoli tivesse conhecimento do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre o tema.
A Economist declarou que os laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o STF carece de imparcialidade. Vorcaro gastou de forma generosa com imóveis, jatos particulares, hotéis de luxo e na SAF do Banco Master. O texto também diz que o empresário teria gastado US$ 3 milhões na festa de 15 anos da filha.
O Banco Master cresceu rápido, com modelo de negócio baseado na venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com taxas de juros “excepcionalmente altas”. O título é um produto de renda fixa popular no Brasil.
Os problemas começaram a aparecer em setembro, quando Vorcaro tentou vender a empresa de forma repentina. O Conselho de Administração do banco (Banco de Brasília) , por unanimidade, a compra do Banco Master em 28 de março de 2025. Em abril, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que a compra do Master resultará em um grupo financeiro com maior competitividade para oferecer serviços em condições vantajosas a clientes de todo o país.
Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025 por, depois da operação Compliance Zero, que investiga a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A Economist disse que o Banco Central investigou os detalhes da fusão do Master com o BRB e descobriu que a instituição financeira de Vorcaro não tinha liquidez. O banco havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.
O Poder360 mostrou que a quebra do Master custará R$ 47,3 bilhões, o maior rombo da história e o maior valor a ser pago pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para os clientes que investiam na renda fixa do banco.
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!