Exposição de Tarsila do Amaral Explora Desigualdade Social e Reflexões no Tribunal de Contas da União
Uma exposição com 63 obras de Tarsila do Amaral está em cartaz no Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, de 11 de fevereiro a 10 de maio. A mostra, com entrada gratuita, marca o centenário da primeira exposição individual da artista, realizada em Paris.
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A tela “Operários” (1933) reúne 51 rostos de trabalhadores da indústria, mulheres e homens de diferentes idades e tons de pele, com expressões sérias e cansadas. Ao fundo, um prédio industrial e seis chaminés lançam fumaça sobre o céu, antes azul.
Análise da Obra e Reflexões Sociais
Segundo Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da pintora, a obra pode suscitar reflexões sobre a desigualdade social, tema em discussão no Congresso Nacional. Ela destaca que o quadro permite aos brasileiros se identificarem, evidenciando como a escala 6×1 afasta as pessoas de direitos básicos. “Hoje, conseguimos observar obras feitas há 100 anos e ainda verificar tanta força”, afirma Paola.
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Curadoria e Organização da Exposição
Outras duas obras célebres presentes na exposição, “Segunda Classe” (1933) e “Costureiras” (1950), também tratam do tema do “olhar o outro”. A mostra reúne, de forma inédita, trabalhos da artista modernista, com curadoria das pesquisadoras Rachel Vallego e Renata Rocco.
As obras foram organizadas por temas, e não em ordem cronológica.
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Influências e Contexto Histórico
Karina Santiago, curadora da exposição, explica que os múltiplos olhares retratados nas telas permitem compreender diferentes dimensões do Brasil e do mundo em que a artista viveu. Segundo as pesquisadoras, após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, que afetou a família da pintora, ligada à cafeicultura, Tarsila teria passado a adotar um olhar mais atento às desigualdades sociais. “Isso se revela, por exemplo, na influência que a escola modernista imprime ao seu pensamento criativo.
A criação de ‘Abaporu’ (considerada a mais famosa obra da artista, e pertence à coleção de um museu na Argentina) demonstra essas influências da década de 1920).
Elementos Religiosos e Ambientais
Elementos religiosos e preocupações ambientais passaram, aos poucos, a se misturar às críticas que ela faz às desigualdades. A exposição levou mais de um ano para ser preparada, dada a complexidade do transporte das obras, trazidas de institutos, museus e colecionadores de São Paulo.
Espaço Imersivo e Interativo
Além das telas, há uma sala imersiva com videografismo que combina o símbolo do sapo, recorrente na obra da artista, com animações inspiradas em quadros como “A Cuca” (1924), “Abaporu” (1928), “Sol Poente” (1929), “Cartão Postal” (1929) e “Antropofagia” (1929).
Um dos objetivos do espaço é estimular a curiosidade das crianças, com conteúdo lúdico e oportunidades para fotos e vídeos. O material foi produzido sem o uso de inteligência artificial, com curadoria de Paola Montenegro e da cientista social Rachel Vallego.
Juliana afirma que o vídeo busca homenagear a criatividade histórica da pintora. “Na mostra, há o momento que é o mergulho na história do Brasil, o mergulho nos outros e o mergulho no mundo”, diz Paola.
Perspectivas Feministas
Segundo Rachel Vallego, é possível identificar, na trajetória da artista, atitudes que hoje poderiam ser classificadas como feministas. “Ela interrompe um casamento nos anos 1910, mesmo tendo um filho. E essa família ainda vai apoiá-la para ela ter uma carreira de pintora”, declara.
Acesso e Impacto
A diretora do Centro Cultural TCU, responsável pelo espaço, informa que, durante o período em que a mostra estiver em cartaz em Brasília, estão previstas visitas de instituições de ensino, como escolas e faculdades. Segundo ela, o objetivo é ampliar o acesso ao que define como um pensamento artístico ainda atual e relevante.
