Tarifas antidumping sobre fibra óptica podem aumentar custos de infraestrutura no Brasil. Federação aponta risco de atrasar 5G e programas de conectividade.
A decisão do governo federal de aplicar tarifas antidumping sobre a fibra óptica e cabos importados da China pode elevar em até 170% o custo dos principais insumos da infraestrutura de telecomunicações no Brasil, de acordo com a Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática.
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As novas tarifas estabelecem uma sobretaxa de US$ 47,46 por quilo para fibra óptica monomodo e de US$ 2,42 por quilo para cabos de fibra óptica. Esses materiais são a base das redes de dados usadas em serviços de banda larga fixa, telefonia móvel e na implantação da tecnologia 5G.
A medida foi aprovada em 19 de dezembro de 2025 pelo Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) e formalizada pelas Resoluções e .
Na avaliação da federação, o encarecimento do insumo compromete investimentos estratégicos e pode atrasar políticas públicas de conectividade.
A fibra óptica é o principal elemento do “backhaul”, estrutura que conecta antenas e centrais de rede, sendo indispensável para a expansão do 5G e para programas de universalização da internet.
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Segundo a presidente da Feninfra, Vivien Mello Suruagy, a medida afeta diretamente os pequenos provedores regionais, responsáveis por levar internet a cidades do interior, periferias urbanas e áreas remotas do país.
O aumento súbito dos custos, afirma, pode inviabilizar projetos em andamento. “Não há como manter o ritmo de expansão da infraestrutura digital com esses valores. A tarifa não pune apenas um produto, mas o consumidor, os investimentos e a geração de empregos”, afirmou por meio de nota enviada ao Poder360.
A federação afirma que programas governamentais de conectividade em escolas públicas e unidades de saúde podem ter seus orçamentos defasados, atrasando a entrega de serviços essenciais.
Para Suruagy, o protecionismo adotado para proteger uma parcela restrita da indústria nacional gera prejuízo sistêmico à economia digital. “É contraditório buscar liderança tecnológica enquanto se encarece a principal matéria-prima da conectividade”, declarou.
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