T.S. Eliot questiona: “Onde a sabedoria se perde no conhecimento?”. A IA redefine o futuro do pensamento? Invista em ouro de verdade pela Mynt! Descubra o PAXG e proteja seu patrimônio
Há quase um século, T. S. Eliot formulou perguntas que atravessaram gerações e revoluções tecnológicas: onde, afinal, se perde a sabedoria quando o conhecimento se acumula; e onde o conhecimento se dissolve quando a informação se multiplica? Em um mundo que hoje opera em escala algorítmica, a inquietação do poeta deixa de ser apenas filosófica para se tornar estrutural.
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A história é uma jornada singular de aperfeiçoamento contínuo.
Como espécie, superamos limitações físicas e cognitivas ao longo de milênios, inicialmente por esforço próprio e, progressivamente, por meio da tecnologia. Ao domesticar plantas e animais, abandonamos o nomadismo e construímos sociedades organizadas; com a Revolução Industrial, transformamos o trabalho artesanal em produção fabril, impulsionando urbanização, consumo e crescimento econômico.
Agora, com a transformação digital, delegamos aos bancos de dados e não à memória o desafio de armazenar informações. Mas essa mudança, embora eficiente, levanta questões profundas sobre o futuro do nosso próprio intelecto.
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Com a transformação digital, delegamos aos bancos de dados e não à memória o desafio de armazenar informações. A história comprova que ferramentas adotadas não apenas incorporam funções, mas ampliam as fronteiras dos campos de atuação do Homo sapiens.
E, apesar da crítica de Platão sobre a inferioridade da escrita em relação à oralidade, ela foi fundamental para a preservação do conhecimento e o desenvolvimento da sociedade. A calculadora pode até desviar o foco do domínio da aritmética, mas libera o nosso potencial cognitivo para o pensamento estratégico e a resolução de problemas complexos.
Até os aplicativos de navegação, embora impactem nosso desenvolvimento espacial, aumentam muito a nossa eficiência da mobilidade humana.
Em 2026, vivemos o ápice dessa evolução com a integração nativa da inteligência artificial na rotina, com agentes autônomos em dispositivos móveis e, até, com a personalização do cuidado com o ChatGPT Health. Apesar do receio de bolhas especulativas, o investimento de capital na cadeia de valor de IA (chips, data centers e energia) cresce sem precedentes indicando que a expansão dessas tecnologias não é conjuntural, mas estrutural nas próximas décadas.
Reduzimos, assim, a fricção mental essencial para resolver problemas complexos. Sem o esforço de ler textos densos ou sustentar raciocínios longos, perdemos resiliência cognitiva. Como provocou Greg Ip: se a IA é extraordinária em sintetizar o que já existe, quem será responsável por adicionar conhecimento genuinamente novo ao mundo?
Talvez essa função seja, inevitavelmente, híbrida (4).
A lógica da “inteligência como serviço” redefine o acesso às capacidades cognitivas e desloca o valor humano para um novo perímetro, no qual a vantagem não está na execução ou na velocidade e sim ao julgamento, ética e sentido, valores irredutíveis à automação, por ora.
Vivemos um dilema inédito. Diferentemente das revoluções anteriores, a evolução tecnológica atual promove aquilo que Gerlich² denomina cognitive offloading, o descarregamento cognitivo. Ao delegarmos à IA a organização, síntese e análise de ideias, corremos o risco de enfraquecer nossa capacidade de processamento profundo e de perder o que Michael Polanyi³ chamou de conhecimento tácito³: pessoal, contextual, enraizado na experiência e na intuição.
Para evitar essa deriva, é crucial estabelecer um novo paradigma de interação com a inteligência artificial. Não se trata de resistir à tecnologia, mas de estabelecer o pré-requisito para dominá-la. Preservar e fortalecer ética, pensamento crítico, curiosidade e senso de propósito não é nostalgia, é condição para uma inovação responsável e geradora de valor real.
Isso exige ações práticas que mantenham nossa agência e autonomia, utilizando a IA de forma assistida, e não delegada. Para isso, sugiro três caminhos iniciais. Primeiro, adotar um uso estratégico, e não total, da IA. Devemos aceitar que não competiremos com máquinas na velocidade de processamento ou no reconhecimento de padrões, mas precisamos ser implacáveis no questionamento das implicações morais, sociais e humanas de cada output.
A IA deve ser uma ferramenta de planejamento e execução, não uma substituta do julgamento sobre governança, propósito e impacto. Depois, é importante cultivar deliberadamente momentos de resistência consciente, reforçando a fricção mental. Há um abismo cognitivo entre consumir um resumo algorítmico e mergulhar em uma obra literária extensa, que exige concentração, paciência e reflexão profunda.
Da mesma forma, escrever à mão preserva conexões neuromusculares que fortalecem o raciocínio e a memória de longo prazo. Em certos domínios cognitivos, escolher o caminho mais longo faz parte da manutenção da plasticidade cerebral.
Por fim, é essencial buscar ativamente o pensamento complexo fora do ambiente digital. Caminhadas contemplativas, debates presenciais, escuta ativa e silêncio reflexivo são práticas simples e poderosas para restaurar profundidade intelectual.
Em uma realidade saturada de informação, nossa vantagem competitiva estará cada vez mais na capacidade de reflexão e não de reação.
Antecipando esse dilema, T. S. Eliot perguntou: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos na informação?”. Na mitologia grega, Prometeu rouba o fogo dos deuses para entregá-lo aos humanos a ferramenta fundadora da civilização.
Punido por Zeus por desafiar os limites do progresso, permanece acorrentado até ser libertado por Hércules. Se a inteligência artificial é o fogo da nossa era, podemos ser consumidos pela dependência ou iluminados em uma nova etapa de desenvolvimento humano.
O horizonte depende de quanto conseguimos sustentar o limite e a responsabilidade diante do caminho mais fácil.
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