Suspensão do Sigilo e Questionamentos no Caso Maridt Participações
Em 27 de fevereiro de 2026, o ministro Gilmar Mendes do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a suspensão da quebra do sigilo da empresa Maridt Participações, pertencente à família do ministro Dias Toffoli. A decisão, motivada por uma recomendação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, levou à declaração de nulidade da medida e à ordem para a destruição de quaisquer relatórios fiscais.
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Essa atitude ocorreu apenas um dia após o relator do caso no Supremo, André Mendonça, ter dispensado a necessidade de comparecimento dos irmãos de Toffoli na CPI do Crime Organizado, seguindo um pedido das defesas. A decisão do ministro Mendes reflete um ponto crucial no escopo da investigação.
Desafios Legais e Argumentos da Defesa
A decisão de Mendonça, baseada em argumentos sobre a legitimidade do controle jurisdicional exercido pela Suprema Corte, mesmo diante dos poderes investigatórios das Comissões Parlamentares de Inquérito, buscou ressaltar a importância do controle de poderes.
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A argumentação se baseava na ideia de que a atuação da CPI não vulnerava o princípio da separação de poderes, mas, ao contrário, representava uma exigência inerente à ordem político-jurídica essencial ao regime democrático. A decisão de Mendonça, portanto, representou um importante ponto de inflexão no caso.
Investigação e Conexões Familiares
O caso Maridt Participações se tornou central na investigação da CPI do Crime Organizado, levantando questionamentos sobre as relações familiares do ministro Dias Toffoli. A investigação revelou que, em 2025, um fundo de investimento que adquiriu participação no empreendimento tinha como dono uma figura que, segundo reportagens, era cunhado do controlador do Banco Master.
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Essa conexão gerou preocupações sobre possíveis irregularidades e influências no âmbito da investigação.
Resolução e Declarações da Empresa
Em 22 de janeiro de 2026, a empresa Maridt Participações, através de seu administrador, José Eugênio Dias Toffoli, emitiu uma nota oficial esclarecendo que não integrava mais o Grupo Tayayá. A empresa detalhou que a participação anteriormente existente havia sido encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda para o Fundo Arllen em 27 de setembro de 2025 e a segunda para a PHD Holding em 21 de fevereiro de 2026.
A empresa assegurou que todas as informações financeiras foram devidamente declaradas à Receita Federal, demonstrando transparência na resolução do caso.
O Caso Banco Master e as Investigações em Andamento
Paralelamente ao caso Maridt Participações, a investigação da CPI do Crime Organizado também se concentrou no Banco Master, suspeito de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras no mercado de capitais. A Polícia Federal, em operação denominada Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025, investiga um esquema de desvio de ativos e ocultação de prejuízo.
A investigação, que envolveu o encontro de um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a ele, gerou questionamentos sobre a lentidão da Polícia Federal no cumprimento de ordens de busca e apreensão, que só foram bem-sucedidas devido à intervenção do ministro Toffoli.
Apesar da complexidade do caso e da necessidade de apuração, a falta de acesso total à informação por parte do STF tem dificultado o envio da apuração à 1ª Instância, conforme desejam algumas das autoridades citadas. A investigação continua em andamento, com o Banco Master como um dos focos centrais da investigação.
