O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), alterou a ordem da convocação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado. A decisão, tomada nesta quinta-feira (2), removeu a obrigatoriedade de Ibaneis comparecer à audiência.
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A mudança garante o direito constitucional do investigado à proteção contra a condução coercitiva.
Foco nas Relações Comerciais e Atuação Institucional
A principal linha de investigação da CPI se concentra nas relações comerciais do escritório de advocacia liderado por Ibaneis Rocha com entidades que estão sob investigação pelas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, conduzidas pela Polícia Federal.
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Além disso, a investigação analisa sua atuação como chefe do Executivo distrital, especialmente em relação às decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB), incluindo as operações com o Banco Master, que são centrais para as apurações.
Precedentes do STF e Direitos do Investigado
A decisão segue os precedentes do STF, que proíbem a condução coercitiva de investigados, assegurando o direito de escolher se comparecem ou não a depoimentos em CPIs. Se Ibaneis decidir comparecer, ele terá direito ao silêncio, à presença de um advogado e não será obrigado a assumir compromisso de dizer a verdade, além de não poder sofrer constrangimentos.
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Investigação sobre a “Narcomilícia” no Rio de Janeiro
Em outra linha de investigação, o senador Alessandro Vieira, autor do requerimento de convocação, busca um panorama sobre a atuação do crime organizado no Rio de Janeiro, incluindo a integração entre facções do narcotráfico e milícias, um fenômeno que ele descreve como “narcomilícia”, e os desafios institucionais no combate à lavagem de dinheiro.
Operações com o Banco Master e Transferências Financeiras
O senador Vieira também aponta para indícios de que o escritório de Ibaneis manteve contratos milionários com entidades ligadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, além de ter recebido transferências financeiras consideradas atípicas do Grupo J&F.
A investigação também examina a atuação de Ibaneis na aprovação da aquisição do Banco Master pelo BRB, envolvendo cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos sob questionamento.
