Starlink Garante Acesso à Internet no Irã em Meio a Repressão
A SpaceX, empresa liderada por Elon Musk, iniciou a oferta de acesso gratuito à internet via satélite através do serviço Starlink para usuários no Irã. Essa iniciativa ocorre em um contexto de forte repressão do governo iraniano aos protestos que têm mobilizado o país desde o final de dezembro de 2025.
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Segundo a organização sem fins lucrativos Poder360, a informação sobre a liberação do acesso via Starlink foi confirmada por um especialista em tecnologia que mantém contato com usuários do sistema no país. Ahmad Ahmadian, diretor-executivo da organização, relatou que contas do Starlink que estavam inativas voltaram a funcionar e que as taxas de assinatura foram suspensas a partir de terça-feira, 13 de janeiro de 2026.
Ele ressaltou que a conexão depende apenas do posicionamento do terminal com visão aberta do céu, permitindo acesso imediato à rede.
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Detalhes da Iniciativa
A medida se seguiu a uma conversa telefônica, no início da semana, entre o presidente dos Estados Unidos, (Partido Republicano), e Musk, na qual discutiram o acesso à Starlink no Irã. Até então, nem a SpaceX nem a Casa Branca emitiram declarações sobre o assunto.
Nos primeiros dias de fevereiro de 2026, após a declaração de Donald Trump, que incentivou manifestantes a “tomarem as instituições” do país e alertou para “fortes medidas” caso o Irã executasse manifestantes presos, o governo iraniano intensificou o bloqueio digital de grandes proporções.
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Impacto e Desafios
Especialistas avaliam que o acesso gratuito à Starlink pode auxiliar ativistas e grupos de direitos humanos, embora alcance uma parcela limitada da população iraniana, estimada em 92 milhões de pessoas. O governo iraniano possui capacidade técnica para interferir ou bloquear o sinal do serviço através de equipamentos de interferência eletrônica.
Ahmadian afirmou que, em alguns casos, a Starlink se tornou o único meio de transmitir informações ao exterior sobre a repressão. O sistema, baseado em milhares de satélites de baixa órbita, tem sido descrito por analistas como um instrumento relevante de influência internacional dos EUA em sociedades fechadas ou zonas de conflito, como a Ucrânia.
Contexto dos Protestos no Irã
Os protestos no Irã iniciaram-se em 28 de dezembro de 2025, motivados pela grave situação econômica do país, caracterizada pela desvalorização da moeda, inflação de 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação, reivindicando reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticando o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu, utilizando agentes armados e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações.
Ahmad Ahmadian – um jovem iraniano de 26 anos, é um dos presos durante a onda de protestos que sacode o país há mais de 2 semanas. Ele deve ser executado nesta 4ª feira (14.jan.2026), informou a organização curdo-iraniana Hengaw para os Direitos Humanos.
O aiatolá Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais.
O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições como o uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e a necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre diversas facções, incluindo a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
