SRB pede suspensão de crédito rural e alerta sobre endividamento no agronegócio em 2026

SRB Pede Suspensão de Vencimentos de Crédito Rural em Meio a Endividamento no Agronegócio
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) formalizou um pedido ao Ministério da Agricultura solicitando a suspensão dos vencimentos de créditos de custeio e investimento por um período de 90 dias. A solicitação surge em um contexto de crescente endividamento no setor e aumento nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio.
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A entidade expressa grande preocupação com o acesso ao crédito, apontando como fatores críticos os altos custos de produção, a volatilidade dos preços das commodities, os juros elevados e a carência de mecanismos eficazes de mitigação de riscos, como o seguro rural.
Análise do Cenário de Crédito e Endividamento
O pleito foi apresentado por meio de um ofício entregue pelo presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, ao ministro da Agricultura, André de Paula. A SRB também chamou a atenção para o crescimento alarmante dos pedidos de recuperação judicial no setor.
Aumento dos Pedidos de Recuperação Judicial
Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou 1.990 solicitações de recuperação judicial, conforme dados da Serasa Experian. Este número representa o maior registro desde o início da série histórica, superando os 193 casos de 2021.
Tal aumento reflete uma alta de 56,4% em comparação ao ano anterior, com maior concentração desses pedidos na região Centro-Oeste do país.
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Questionamento das Novas Regras de Financiamento Ambiental
Além da questão do endividamento, a SRB manifestou críticas às recentes alterações nas regras de financiamento. Desde 1º de abril de 2026, instituições financeiras que utilizam recursos direcionados ou controlados são obrigadas a consultar dados do PRODES/INPE antes de liberar financiamentos para imóveis com mais de quatro módulos fiscais.
Para propriedades menores, essa exigência só entrará em vigor em janeiro de 2027. Embora a SRB reconheça o objetivo de coibir financiamentos ligados ao desmatamento ilegal, questiona o método de implementação adotado.
Propostas de Ajuste para o Setor
A entidade argumenta que as Resoluções CMN nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025 criaram um sistema que trata o produtor como potencialmente irregular até que ele comprove o contrário junto às instituições financeiras, usando imagens de satélite.
A SRB sugere dois ajustes principais: primeiro, que o PRODES seja usado apenas como ferramenta de triagem para acionar verificação por órgãos ambientais, e não como base direta para o bloqueio de crédito. Segundo, que o prazo de resposta ao produtor seja compatível com o ciclo agrícola, com procedimentos simplificados para propriedades sem histórico de embargo.
Busca por Diálogo e Medidas Emergenciais
A SRB enfatiza que o quadro atual demanda ações emergenciais. A organização defende que o Ministério da Agricultura ouça as recomendações do setor produtivo, buscando uma integração real entre as necessidades dos produtores rurais.
A entidade reforça a necessidade de suspender os vencimentos de créditos de custeio e investimento por 90 dias, ou até que novas diretrizes sejam aprovadas e implementadas no arcabouço jurídico brasileiro.
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