Solarprime: Uma Lição de Sobrevivência no Mercado Brasileiro de Energia Solar
O mercado brasileiro de energia solar passou por uma fase de desaceleração, marcada por crédito mais caro, mudanças nas regras e uma queda no ritmo de expansão. Nesse cenário desafiador, a Solarprime, rede de franquias de energia solar fundada em Minas Gerais e com sede em Campinas, no interior de São Paulo, enfrentou uma forte crise operacional entre 2023 e 2024.
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A empresa, que cresceu rapidamente e se tornou uma das maiores redes do segmento, precisou passar por uma extensa reconstrução operacional.
A Crise da Expansão Rápida
Após atingir centenas de milhões de reais em faturamento anual, a Solarprime encolheu, demitiu equipes e fechou estruturas. “Quando voltei para a operação, a empresa tinha custo de quase 2 milhões de reais por mês e faturava cerca de 500 mil”, relata Raphael Brito, fundador e diretor executivo da Solarprime.
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O problema comum em negócios que escalam muito rápido é o crescimento sem controle.
Um Novo Ciclo para a Energia Solar
Agora, a Solarprime está focando em sistemas híbridos, que combinam geração solar com baterias de armazenamento. Raphael explica que o principal argumento da energia solar era antes a economia na conta de luz, mas o novo discurso é sobre autonomia energética.
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O modelo responde a dois gargalos do mercado: a instabilidade no fornecimento elétrico e o custo elevado da energia nos horários de pico.
Reconstrução e Novos Critérios
Após a saída de um sócio e uma auditoria interna, Raphael reassumiu o comando da empresa, encontrando uma situação crítica: alto nível de despesas fixas, sem controle financeiro e processos fragilizados. Mais de metade dos funcionários foram demitidos, a sede encolheu e a expansão de franquias foi interrompida. “Eu não queria ser a maior franquia do Brasil.
Queria ser a melhor. Crescer sem eficiência quase quebrou a empresa”, afirma Brito.
Meta de 200 Franquias em 2026
No ano passado, o faturamento foi de cerca de 50 milhões de reais, uma fração do pico anterior. A meta para 2026 é dobrar esse número, mas com uma nova lógica. A Solarprime planeja retomar a expansão com cerca de 200 unidades franqueadas, priorizando o perfil do operador e o desempenho das operações, não o volume de contratos. “O erro do passado foi crescer sem critério.
Agora, cada franqueado passa por avaliação e aprovação direta”, diz Brito.
Perspectivas de Crescimento
No horizonte de longo prazo, a Solarprime prevê crescimento médio em torno de 20% ao ano após a fase de recuperação. Após atravessar o período mais crítico desde a fundação, a Solarprime tenta mostrar que, no atual estágio do setor, sobreviver pode ser mais difícil — e mais estratégico — do que crescer rapidamente.
