Alunos e profissionais aumentam uso de suplementos para foco e concentração, mas especialistas alertam sobre riscos de dependência e desigualdade no acesso.
A busca por um comprimido capaz de aumentar o foco, a concentração e a memória tem ganhado força em uma sociedade cada vez mais competitiva. Essa demanda tem impulsionado o popularismo de chamados “smart drugs”, gerando, ao mesmo tempo, preocupação na comunidade científica.
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Medicamentos já utilizados no tratamento de distúrbios como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e narcolepsia, como o metilfenidato (Ritalina e Concerta), a lisdexanfetamina (Venvanse) e a modafinila (Provigil), têm sido utilizados sem indicação médica por pessoas que buscam um estímulo extra no dia a dia.
Pesquisas, como a conduzida pela Universidade de Exeter durante a pandemia de Covid-19, revelaram um aumento no uso de modafinila e nutracêuticos em altas doses. O estudo com estudantes e funcionários de universidades no Reino Unido demonstrou um crescimento de 42% no uso de modafinila e 30% no consumo de nutracêuticos. O psiquiatra Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-estar, do Einstein Hospital Israelita, ressalta que, “em pessoas saudáveis, os efeitos costumam ser pequenos, passageiros e muito longe da ideia de um ‘remédio que aumenta a inteligência’”.
A neurocientista Barbara Sahakian, pesquisadora da Universidade de Cambridge, destaca que o uso de smart drugs em pessoas saudáveis revela um descompasso: “enquanto muitos relatam se sentir mais focados e produtivos, os resultados objetivos mostram ganhos pequenos ou inexistentes”. Um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, concluiu que, embora essas substâncias aumentem o esforço cognitivo, elas reduzem a qualidade desse esforço.
O uso sem indicação médica também traz efeitos colaterais, como insônia, ansiedade, agitação, palpitações e aumento da pressão arterial. Em longo prazo, o uso contínuo pode gerar dependência e prejuízo crônico do sono.
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A discussão sobre o uso de smart drugs levanta questões de mérito, acesso desigual e paralelos com o doping esportivo. Especialistas alertam para a necessidade de restringir o consumo em crianças e adolescentes, já que, nessas fases, o cérebro ainda está em desenvolvimento.
Em vez de buscar atalhos, é fundamental priorizar hábitos que sustentem o cérebro, como sono adequado, exercício físico, alimentação equilibrada e estratégias de manejo do estresse.
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