Protestos no Irã deixam cem mortos, diz grupo de direitos humanos. Aiatolá Khamenei critica manifestantes e acusa EUA.
Os protestos em curso no Irã, motivados por questões econômicas e pela pressão exercida sobre o governo, resultaram em um número de mortos estimado em pelo menos 192, conforme divulgado por um grupo de direitos humanos no domingo (11). A organização, sediada na Noruega, ressaltou que o número real de vítimas pode ser ainda maior, devido à interrupção do acesso à internet, que impediu a confirmação precisa dos dados nos últimos dias.
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Anteriormente, o número de mortos era de 51, incluindo nove crianças.
A Anistia Internacional apontou que há evidências de que a repressão aos manifestantes se intensificou nos últimos dias. Em meio à crescente instabilidade, o presidente Donald Trump, por meio da rede social Truth Social, expressou a disposição dos Estados Unidos em auxiliar a situação, após ter anteriormente afirmado que o Irã enfrentava “sérios problemas” e reiterado a possibilidade de ações militares.
Em Londres, um manifestante substituiu brevemente a bandeira da República Islâmica do Irã por uma do antigo regime monárquico, durante um ato de apoio ao movimento de protesto que reuniu centenas de pessoas, segundo relatos de testemunhas. As imagens da AFP mostram manifestantes realizando um panelaço, soltando fogos na praça Punak de Teerã e expressando palavras de ordem em apoio à dinastia Pahlavi.
Os protestos ocorrem em um momento de fragilidade para o governo iraniano, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por aliados regionais. Eles representam um dos maiores desafios para as autoridades teocráticas desde a Revolução Islâmica de 1979, iniciados por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica do país.
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O país enfrenta um período de interrupção no acesso à internet, que se estende a 48 horas, devido a um apagão nacional imposto pelas autoridades, conforme reportado pela ONG de cibersegurança Netblocks. Essa situação dificulta o acesso à informação.
Além disso, a ganhadora do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, alertou para a possibilidade de um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio das comunicações”.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, criticou os manifestantes, descrevendo-os como “vândalos”, e acusou os Estados Unidos de incitá-los. Ali Larijani, conselheiro e chefe da principal agência de segurança do país, denunciou “incidentes orquestrados no exterior”. O filho do xá deposto, Reza Pahlavi, que reside nos Estados Unidos, convocou os iranianos a organizar protestos mais focados e a “tomar e manter os centros urbanos”.
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