Sesab confirma intoxicação por metanol em sete pessoas na Bahia. Sete indivíduos em Ribeira do Pombal sofrem intoxicação após consumo acidental de metanol. Perícia aponta metanol em bebidas
A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) confirmou que sete indivíduos, localizados no interior do estado, sofreram intoxicação após a ingestão acidental de metanol. As vítimas foram admitidas no Hospital de Ribeira do Pombal, a cerca de 290 quilômetros de Salvador, na terça-feira, 30 de dezembro de 2025, para acompanhamento médico.
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A confirmação da suspeita de intoxicação foi realizada por meio de perícia, que identificou a presença de metanol em bebidas destiladas consumidas pelas vítimas, além da substância em suas amostras de sangue. Todos os pacientes receberam o antídoto contra a intoxicação por metanol.
A vigilância sanitária municipal interditou o estabelecimento responsável pela comercialização da bebida contaminada.
A Sesab orienta a população baiana a reforçar as medidas de segurança ao adquirir e consumir bebidas destiladas, especialmente durante períodos de festividades. É crucial verificar a procedência dos produtos, a integridade das embalagens e selos de segurança, e a idoneidade dos estabelecimentos comercializadores.
O metanol, também conhecido como álcool metílico (CH₃OH), é uma substância química altamente tóxica, volátil e inflamável. É um álcool simples, incolor, com odor semelhante ao da bebida alcoólica comum. Originalmente chamado de “álcool da madeira”, era obtido da destilação de toras.
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Atualmente, é produzido em escala industrial, principalmente a partir do gás natural.
O metanol é utilizado como matéria-prima na produção de formaldeído, ácido acético, resinas, solventes e tintas. Também está presente em anticongelantes, limpa-vidros e removedores de tinta. No Brasil, uma das principais aplicações é na produção de biodiesel, por meio da transesterificação.
A ingestão de 4 mL a 10 mL de metanol pode causar danos irreversíveis, como cegueira, conforme o Conselho Federal de Química (CFQ). O CFQ alerta que pequenas doses representam uma ameaça real à vida. Estima-se que 30 mL de metanol puro podem ser letais.
O perigo maior da ingestão de metanol reside nos efeitos tardios. O metanol é metabolizado no organismo em formaldeído e ácido fórmico, este último responsável por causar acidose metabólica – um grave desequilíbrio do pH sanguíneo. Os sintomas incluem respiração acelerada, aumento da frequência cardíaca, dor abdominal persistente e danos à visão, que podem evoluir para cegueira irreversível.
A Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (Abno) ressalta que, em caso de suspeita de ingestão ou contato prolongado com metanol, não induzir o vômito e encaminhar a pessoa com urgência para o hospital. Quanto mais cedo forem realizados o diagnóstico e o tratamento, menor é o risco de morte ou de sequelas graves.
O tratamento é feito com medicamentos intravenosos (fomepizol) que, assim como o etanol, podem inibir o metabolismo do metanol, evitando a formação do ácido fórmico, causador das sequelas mais graves. O paciente também pode ser submetido à lavagem gástrica e hemodiálise.
Segundo o Conselho Federal de Química (CFQ), o problema surge quando o metanol é utilizado de forma criminosa na adulteração de bebidas alcoólicas. A ingestão, inalação ou contato prolongado com o metanol pode provocar sintomas imediatos, como náusea, tontura, vômito e depressão do sistema nervoso central.
Para prevenir intoxicações, recomenda-se verificar a procedência das bebidas compradas, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e não consumir produtos sem registro oficial.
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