O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Marcos Viana (Podemos-MG), manifestou nesta quinta-feira (19 de março de 2026) sua preocupação com divergências entre órgãos de investigação, argumentando que o foco principal da apuração dos descontos irregulares nos pagamentos de aposentados e pensionistas deve ser a identificação e responsabilização dos envolvidos. “Não interessa ao Brasil que órgãos investigadores estejam em desacordo.
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O que interessa ao país é que a gente aponte quem são os culpados e onde é que está o dinheiro roubado”, declarou Viana em entrevista.
Sala-cofre e a Reintrodução de Dados
A declaração se segue a um comunicado da Polícia Federal, na noite de quarta-feira (18 de março de 2026), que informou ter identificado a “reintrodução” de dados nos sistemas do Senado durante a execução da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para a retirada de informações sensíveis.
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A PF estava conduzindo a exclusão de dados da chamada “sala-cofre” da CPMI, um ambiente restrito montado no Senado para armazenar, com controle de acesso e monitoramento, os dados obtidos pela comissão, incluindo materiais sigilosos provenientes de quebras de sigilo.
Mendonça havia determinado que a PF retirasse conteúdos considerados privados e sem relação direta com o objeto da investigação, após questionamentos sobre o alcance das informações armazenadas no local. A nova inserção de dados ocorreu após solicitação direta da CPMI à empresa Apple, gerando um novo fluxo de download e armazenamento “fora do controle inicial da cadeia de custódia estabelecida judicialmente”, conforme relatado pela PF.
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Atribuições da CPMI
O senador Viana enfatizou que a CPMI tem prerrogativa constitucional para requisitar documentos e conduzir investigações. “Até o momento não se vazou, mas se houver qualquer vazamento de material que tenha vindo da sala-cofre, será feita uma investigação para identificar quem vazou”, afirmou o presidente da CPMI nesta 5ª feira (19.mar).
Ele ressaltou que a comissão continuará exercendo suas atribuições e que seu objetivo é concluir uma investigação consistente. “A CPMI vai até o final para cumprir o papel dela”, declarou.
Reação da CPMI e Encerramento do Caso
A CPMI negou qualquer irregularidade, afirmando que sua atuação está amparada pela Constituição. Segundo o senador, a comissão agiu dentro de suas competências ao requisitar informações diretamente à Apple, com base nos poderes de investigação próprios das CPIs.
Ele afirmou que a medida não representou interferência em investigação conduzida pelo STF nem manipulação de provas sob a cadeia de custódia da Polícia Federal. “A CPMI possui a prerrogativa constitucional de buscar informações por meios próprios”, declarou.
Viana também disse que eventuais dados obtidos por requisição institucional têm caráter informativo e não substituem provas sob guarda das autoridades competentes. Para o senador, a divulgação da nota da PF gerou “ruído desnecessário”.
