Semaglutida: Novas Perspectivas no Tratamento da Obesidade Revelam Desafios e Variações

Semaglutida: Nova esperança ou frustração? Medicamentos como Ozempic e Wegovy geram expectativas, mas eficácia varia em pacientes. Saiba mais!

27/04/2026 15:02

3 min

Semaglutida: Novas Perspectivas no Tratamento da Obesidade Revelam Desafios e Variações
(Imagem de reprodução da internet).

Novas Alternativas para o Tratamento da Obesidade: Eficácia e Desafios

Com a liberação da patente da semaglutida, em março, aumentou a expectativa por opções mais acessíveis para o tratamento da obesidade, incluindo medicamentos como Ozempic e Wegovy. No entanto, é importante reconhecer que os efeitos desses fármacos na perda de peso variam significativamente entre os pacientes.

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Estudos recentes revelam que cerca de um em cada dez indivíduos que utilizam esses medicamentos não alcança a perda de peso esperada nos primeiros meses de tratamento.

Dados de Ensaios Clínicos: Variações na Resposta ao Tratamento

Pesquisas como o ensaio clínico STEP 1, publicado em 2021, demonstraram que aproximadamente 14% dos participantes tratados com semaglutida não perderam ao menos 5% do peso corporal. Paralelamente, um estudo internacional com tirzepatida (princípio ativo do medicamento), divulgado em 2024, indicou uma taxa de não resposta de 9,1% entre os pacientes que receberam a dose de 15 mg.

As doses de 10 mg e 5 mg apresentaram taxas de não resposta de 11,1% e 14,9%, respectivamente.

Fatores que Influenciam a Resposta ao Tratamento

Assim como em outros tratamentos, a resposta individual ao medicamento é variável. O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, explica que “cada pessoa responde de um jeito ao medicamento”. A resposta também depende do ajuste gradual da dose, uma estratégia utilizada para minimizar efeitos colaterais e melhorar a tolerância do paciente.

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Em alguns casos, pode ser necessário um período de interrupção ou uma progressão mais lenta na dose.

Compreendendo a Não Resposta: Uma Combinação de Fatores

Os casos em que o tratamento não apresenta resultados satisfatórios geralmente envolvem uma combinação de fatores biológicos, clínicos e comportamentais. A resistência à insulina, comum em pacientes com diabetes, pode influenciar negativamente a perda de peso.

Estudos apontam que pacientes com diabetes tendem a ter uma resposta pior em comparação com indivíduos sem essa condição. A análise de dados de 4.467 adultos com diabetes tipo 2 em uso de liraglutida, semaglutida ou dulaglutida, revelou que apenas 14% conseguiram melhorar o controle da glicose no sangue e perder ao menos 5% do peso corporal.

Outros Fatores Relevantes: Dose, Genética e Farmacocinética

A dose utilizada também desempenha um papel crucial. Um ensaio publicado em 2025 demonstrou que a semaglutida de 7,2 mg foi superior à de 2,4 mg, padrão para emagrecimento, na redução do peso corporal em adultos com obesidade e sem diabetes. Além disso, fatores como peso inicial, idade, duração do diabetes e função renal podem influenciar os resultados.

A farmacocinética, ou seja, a forma como o organismo absorve, distribui e metaboliza o medicamento, também é um fator importante, com níveis circulantes da droga no sangue influenciando a resposta clínica.

Abordagens Personalizadas e o Papel da Genética

Estudos recentes identificaram uma variante no gene do receptor de GLP-1 ligada a maior eficácia do tratamento. Essa descoberta abre caminho para abordagens mais personalizadas no futuro, levando em consideração as diferenças genéticas entre os pacientes.

A análise de 27.885 pessoas usando esses medicamentos revelou que essa variante está associada a um maior risco de náusea e vômito, sobretudo em relação à tirzepatida.

Revisão da Abordagem Terapêutica e Perspectivas Futuras

Quando o tratamento não atinge a expectativa, a primeira medida é revisar a abordagem terapêutica. Isso inclui verificar o ajuste da dose, a continuidade do uso e a avaliação de fatores clínicos e comportamentais que podem atrapalhar a resposta.

A orientação da Sociedade de Endocrinologia enfatiza a importância de uma avaliação abrangente, considerando dieta, consumo de álcool, qualidade do sono, estresse, comorbidades e o uso de outros medicamentos associados ao ganho de peso.

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