Semaglutida: Fim do Domínio da Novo Nordisk e Corrida por Concorrentes no Brasil

Semaglutida perde a exclusividade no Brasil! Anvisa encerra domínio da Novo Nordisk. Saiba mais sobre o impacto no mercado de obesidade e diabetes.

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(Imagem de reprodução da internet).

A exclusividade da semaglutida, o ingrediente ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, chegou ao fim no Brasil nesta sexta-feira (20). Essa situação marca o encerramento de aproximadamente 20 anos de domínio da Novo Nordisk, empresa dinamarquesa.

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Apesar de esforços legais da empresa para estender essa proteção por mais 12 anos, a Anvisa não concedeu essa extensão.

Este evento representa um ponto de inflexão para o mercado de obesidade e diabetes no país. No entanto, o impacto real deverá se manifestar de forma gradual, conforme apontado pelo BTG Pactual, grupo controlador da revista Exame.

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Análise do BTG Pactual: Um Cenário Complexo

Em um relatório setorial em formato de perguntas e respostas, o BTG Pactual destaca que a ausência de alternativas nacionais à semaglutida é o principal desafio. A semaglutida é um peptídeo complexo, com características que a situam na fronteira entre medicamentos sintéticos e biológicos, o que eleva significativamente as exigências para sua aprovação.

Para obter a aprovação da Anvisa, as empresas precisam apresentar dados abrangentes sobre segurança e eficácia, além de comprovar a consistência na fabricação e a precisão analítica em nível molecular. A Anvisa, por sua vez, realiza avaliações caso a caso, devido à falta de padrões regulatórios específicos para esse tipo de molécula “híbrida”.

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Fila de Candidatos e o Cronograma da Concorrência

Atualmente, existem 15 pedidos nacionais em análise na Anvisa, podendo chegar a 17. Os mais avançados são dos pedidos da Ávita Care, que já se encontram na fase de “cumprimento de exigências”, ou seja, a agência já solicitou esclarecimentos adicionais.

Outros sete pedidos estão em revisão ativa e podem receber um primeiro retorno ainda no primeiro semestre de 2026.

O cronograma mais otimista aponta para julho ou agosto de 2026 como a janela para os primeiros produtos concorrentes chegarem às farmácias. A EMS e a Ávita Care receberam pedidos de informações adicionais da Anvisa no início de março e têm até 120 dias para responder.

Preços e o Impacto no Mercado Farmacêutico

A EMS se destaca como a empresa mais bem posicionada, tendo investido cerca de R$ 1,2 bilhão para desenvolver capacidade de produção doméstica de semaglutida, incluindo a expansão de sua planta em Hortolândia (SP), com capacidade projetada de até 20 milhões de canetas por ano.

Não se espera uma queda imediata nos preços. Atualmente, as canetas de semaglutida custam em torno de R$ 1.000, dependendo da dosagem. Sem concorrentes no mercado, a dinâmica de preços permanece inalterada no curto prazo. Quando a concorrência chegar, a expectativa é de reduções graduais — mas o BTG alerta que, por se tratar de um medicamento biologicamente complexo, o mercado será dominado por biossimilares, e não por genéricos tradicionais.

Isso significa descontos mais modestos, próximos de 20%, e não a queda de 70% a 90% vista em remédios convencionais como o Lipitor.

O Papel do SUS e as Perspectivas para o Varejo Farmacêutico

A inclusão da semaglutida no SUS segue incerta, já tendo sido rejeitada anteriormente, com estimativas de impacto fiscal de cerca de R$ 8 bilhões por ano. A entrada de concorrentes e a eventual queda de preços poderão reabrir essa discussão no futuro, mas não há prazo nem compromisso formal no horizonte.

Para o varejo farmacêutico, o cenário é positivo no médio e longo prazo. Os GLP-1 (classe à qual pertence a semaglutida) já representam entre 10% e 12% da receita das principais redes de farmácias do país. Com mais oferta e maior acessibilidade, a tendência é de expansão de volumes — sem necessariamente corroer margens de forma abrupta.

A conclusão do BTG Pactual é que o Brasil deve seguir o caminho dos biológicos globais: uma transição lenta, com erosão gradual de preços e crescimento sustentado da categoria — bem diferente do “penhasco” visto em genéricos tradicionais.

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