Sécreta serpente descoberta em Mianmar causa impacto na comunidade científica

Uma serpente recém-descoberta em Mianmar tem gerado grande interesse na comunidade científica. A víbora, batizada de “víbora-de-fosseta de Ayeyarwady”, chamou a atenção devido à sua aparência peculiar, que misturava características de espécies já conhecidas, criando um desafio para os pesquisadores identificarem sua classificação.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O estudo foi conduzido pelo herpetólogo Chan Kin Onn, da University of Kansas Biodiversity Institute and Natural History Museum, nos Estados Unidos. A equipe investigou uma população de cobras encontrada no centro de Mianmar, que apresentava uma aparência intermediária entre duas espécies distintas.
Inicialmente, os cientistas suspeitaram que se tratava de um híbrido resultante do cruzamento da víbora-de-cauda-vermelha (Trimeresurus erythrurus) e da víbora-dos-manguezais (Trimeresurus purpureomaculatus).
Características Distintas
A víbora-de-cauda-vermelha é caracterizada pela coloração verde intensa e uniforme, sem marcas visíveis. Já a víbora-dos-manguezais apresenta manchas escuras nas costas e uma coloração variável, que pode variar do cinza ao preto. A nova espécie encontrada combinava traços de ambas, exibindo cobras verdes com diferentes níveis de manchas.
A equipe liderada por Chan Kin Onn inicialmente considerou a possibilidade de que a serpente fosse um híbrido, devido à combinação de características consideradas incompatíveis dentro de uma mesma espécie. A aparência da serpente sugeria um cruzamento entre linhagens próximas, algo raro, mas plausível na região.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Descoberta Genética Inesperada
No entanto, a análise genética revelou uma surpresa: a serpente não era um híbrido. Ao sequenciar o DNA dos exemplares, os pesquisadores descobriram que a população formava uma linhagem própria, separada das espécies com as quais eram comparadas.
Isso significava que a serpente era uma espécie independente, ainda não formalmente descrita pela ciência. Os resultados foram publicados na revista científica ZooKeys, no dia 21, onde a espécie foi oficialmente nomeada Trimeresurus ayeyarwadyensis.
O nome da espécie é uma homenagem ao rio Ayeyarwady, o maior e mais importante de Mianmar, cuja bacia hidrográfica corresponde à área de distribuição conhecida da serpente. A nova espécie foi identificada nas regiões de Ayeyarwady e Yangon.
Assim como outras víboras-de-fosseta, a Trimeresurus ayeyarwadyensis é venenosa e possui órgãos sensoriais especializados que a ajudam a detectar calor, permitindo que ela localize suas presas com precisão, mesmo em ambientes de baixa visibilidade.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


