Sébastien Lecornu adota medida polêmica e enfrenta moção de desconfiança na França

Governo francês adota medida polêmica e ignora Parlamento ao aprovar Orçamento 2026. Riscos de moção de desconfiança e instabilidade política na França.

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(Imagem de reprodução da internet).

O governo francês optou por implementar o Orçamento de 2026 sem a aprovação do Parlamento, assumindo o risco de enfrentar uma moção de desconfiança. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu (Renascimento, centro), confirmou a segunda-feira (19.jan.2026) o uso de um dispositivo constitucional para avançar com o texto, após semanas de negociações infrutíferas.

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A medida, segundo ele, representa um resultado de “sucesso parcial e fracasso parcial”.

Lecornu, que permaneceu no cargo, declarou ter tomado a decisão “com certo grau de arrependimento e um pouco de amargura”, atribuindo-a ao impasse nas tratativas sobre as despesas estatais, que o Executivo considerou um beco sem saída. Ele enfatizou que a percepção de um caminho sem saída se tornou comum entre os envolvidos.

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O Orçamento manterá o déficit público em 5% do Produto Interno Bruto (PIB). A utilização do artigo constitucional que permite a imposição do orçamento sem voto abre automaticamente a possibilidade de uma moção de desconfiança, que pode derrubar o premiê.

Apesar disso, Lecornu aposta no apoio de um grupo-chave na Câmara baixa para sobreviver politicamente.

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O presidente Emmanuel Macron (Renascimento, centro) defendeu o Orçamento. Segundo um porta-voz do governo, Macron afirmou que o texto “garante estabilidade” e “permite que o país avance”, ressaltando que o acordo exigiu “compromissos e concessões de todos”.

Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional) classificou o anúncio como “irresponsável” e defendeu “punições severas para políticos que escolhem arruinar” o país “para salvar seus cargos”. O partido de esquerda França Insubmissa anunciou que apresentará moção de desconfiança.

Para reduzir o risco de derrota, Lecornu fez concessões no projeto de despesas com o objetivo de agradar ao Partido Socialista, considerado o fiel da balança em um Parlamento sem maioria clara. Após o anúncio, integrantes da sigla sinalizaram satisfação.

Para o chefe da bancada socialista, Boris Vallaud, as mudanças “tornam possível considerar a não censura”. O deputado Jérôme Guedj foi na mesma linha: “Se o que foi anunciado se confirmar, não haverá censura”.

A França enfrenta um período de instabilidade política desde 2024, quando Macron convocou eleições antecipadas e perdeu a maioria parlamentar. Lecornu espera encerrar o impasse: “Vamos parar de fazer um espetáculo para o mundo inteiro”.

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