Saúde muda o varejo alimentar: o que Marcio Milan alerta sobre o consumo?

Mudanças no Consumo e o Impacto no Varejo Alimentar
A crescente atenção com a saúde e o bem-estar, manifestada no uso de produtos associados a esses temas, já está alterando o comportamento dos consumidores. Essa mudança obriga o setor de varejo alimentar a reavaliar significativamente seu mix de produtos, conforme apontou Marcio Milan, vice-presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Milan destacou que esse movimento força os supermercados a observarem de perto como as escolhas de compra das famílias estão se transformando. Embora o setor já esteja atento à necessidade de coletar dados e informações para guiar o sortimento e o portfólio, ele ressaltou que essas alterações ainda se encontram em fases iniciais.
Panorama do Consumo em Março
De acordo com dados da Abras, o consumo realizado nos lares brasileiros apresentou um aumento de 3,2% em março, comparado ao mesmo período do ano anterior. Este indicador demonstrou um avanço de 6,21% em relação a fevereiro, encerrando o primeiro trimestre com uma alta acumulada de 1,92%.
Fatores que Influenciaram o Consumo
O desempenho registrado foi influenciado por diversos fatores, como a antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril, e o efeito-calendário de fevereiro, que teve um menor número de dias. Uma parcela considerável do consumo foi concentrada na última semana de março.
O avanço geral ocorreu em um contexto de maior disponibilidade de renda para as famílias, impulsionado pela liberação de recursos como Bolsa Família, PIS/Pasep, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do INSS. Apesar desse cenário favorável à renda, Milan observou que o setor deve manter o foco na competitividade de preços e na eficiência operacional, antecipando possíveis pressões logísticas e de custos internacionais.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Acompanhamento de Preços e Perspectivas Futuras
O indicador Abrasmercado, que monitora a variação de preços de uma cesta composta por 35 produtos de consumo amplo, registrou um aumento de 2,20% em março, sendo o maior índice do primeiro trimestre. Nos meses anteriores, os aumentos foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro.
Com esse resultado, o valor médio da cesta subiu de R$ 802,88 para R$ 820,54 em março. Para os meses vindouros, o cenário ainda aponta risco de elevação em alguns alimentos, especialmente aqueles mais sensíveis a variações de frete, clima e oferta.
Impacto Logístico nos Preços
Segundo Milan, a alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias de suprimentos mais longas e dependentes de logística, o que pode gerar repasse para os preços dos alimentos.
Analisando apenas a cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional subiu 2,26% em março, passando de R$ 336,80 para R$ 344,40. A entidade prevê suporte adicional ao consumo no segundo trimestre, devido a medidas como o adiantamento do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e o pagamento de restituições do Imposto de Renda, o que tende a reforçar a renda disponível das famílias.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
