Ucrânia acende alerta na Geórgia! Tensão russa em Sukhumi e Tskhinvali. Conflito de 4 anos na Ucrânia impacta a situação na Geórgia, com apoio russo em Abecásia e Ossétia do Sul. Saiba mais!
A guerra na Ucrânia, que marca quatro anos nesta terça-feira (24), reacendeu tensões em outras regiões da antiga União Soviética, particularmente na Geórgia. A situação é complexa, envolvendo disputas separatistas e a influência da Rússia em territórios como a Abecásia e a Ossétia do Sul, ambos autoproclamados e com proteção russa.
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A Geórgia reconhece esses territórios apenas pelos nomes de suas capitais: Sukhumi (Abecásia) e Tskhinvali (Ossétia do Sul). Internacionalmente, a Rússia, Nicarágua, Venezuela, Síria, Nauru e Vanuatu são os únicos países que reconhecem a independência dessas regiões.
A situação é marcada por diferentes demandas de separação, com a Ossétia do Sul buscando unificar-se à Ossétia do Norte, território russo, enquanto a Abecásia busca o reconhecimento formal de sua independência.
A ligação entre a Rússia e esses territórios tem raízes históricas profundas. A Abecásia, por exemplo, foi um protetorado russo desde 1810, capturada por São Petersburgo em 1867 após um período de conflitos no Cáucaso. Após a Revolução Russa em 1917, a Abecásia teve um breve período republicano, sendo incorporada à República Socialista Soviética da Geórgia em 1931.
A dissolução da União Soviética em 1991 desencadeou um conflito civil, com a declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abecásia, e o apoio russo à região durante a guerra georgiana de 2008.
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Segundo Fabrício Vitorino, jornalista e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Política Internacional, Segurança e Defesa da Universidade Federal de Santa Catarina (NPSeD/UFSC) e do Núcleo de Estudos da Ucrânia da Universidade de São Paulo (NEU/USP), a Ossétia do Sul apresenta uma relação “quase estrutural” com a Rússia. “Moscou garante segurança, financia parte significativa do orçamento local e coordena a defesa e a política externa”, explica.
Vitorino define essa relação como “um caso com forte componente irredentista”, referindo-se à ideia de reunificação de um povo dividido por fronteiras. Os ossétios do sul se veem como parte da mesma nação dos ossétios do norte, a Alânia, compartilhando a mesma língua de origem iraniana e uma identidade histórica comum.
Com a guerra na Ucrânia, o professor de relações internacionais Kai Kenkel, da PUC-Rio, avalia que a Ossétia do Sul e a Abecásia sentiram um “deslocamento” e uma “concentração do esforço russo” no país. Isso gerou preocupação sobre o enfraquecimento do apoio moscovita.
Kenkel também acredita que, mesmo com o fim da guerra na Ucrânia, a atenção russa não se voltará para a Geórgia, devido à não busca do país por se unir à OTAN e à União Europeia. A agenda imperialista russa busca conter a expansão da aliança militar e do bloco em áreas do seu entorno que ainda concentram populações russas.
A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, confirmou que a União Europeia está formulando uma proposta na qual determina que o Kremlin decida por desocupar territórios na Geórgia, na Armênia ou na Moldávia. Kallas afirmou que a iniciativa seria uma forma de “equilibrar um pouco as negociações” entre Kiev e Moscou.
Para ela, o objetivo principal é dar luz ao real problema existente no Leste Europeu: “A Rússia continua a atacar os seus vizinhos”.
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