Robôs Controlados pelo Braço Humano Recebem Reconhecimento Internacional
Pesquisadores do Centro de Robótica da Universidade de São Paulo (USP), localizados em São Carlos, interior do estado, desenvolveram um sistema inovador que permite o controle de braços robóticos utilizando apenas os movimentos do próprio braço humano.
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A tecnologia, eleita o melhor trabalho do Simpósio Latino-Americano de Robótica em 2025, representa um avanço significativo na interação homem-robô.
O sistema funciona através de uma câmera de profundidade que rastreia a posição do pulso do operador em tempo real, traduzindo seus movimentos para o robô. Segundo Murilo Vinicius da Silva, um dos estudantes de engenharia da computação envolvido na pesquisa, o objetivo principal foi tornar o controle de robôs mais intuitivo. “Nosso foco era simplificar o acesso a essa tecnologia, criando uma forma de interação mais natural”, explica Silva.
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O sistema utiliza a câmera para identificar pontos chave do corpo humano, como o pulso, ombro e cintura, calculando a posição e o movimento do braço de forma precisa.
O projeto oferece três modos de operação distintos, acionados por gestos simples. Com um dedo levantado, o operador ativa o modo manual, controlando cada movimento individualmente. Em modo dois, dois dedos são utilizados, permitindo que o robô detecte objetos automaticamente e auxilie o movimento do operador.
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Por fim, com a mão fechada, o sistema entra no modo totalmente autônomo, onde o operador apenas seleciona o objeto e o robô realiza a tarefa sozinho.
A pesquisa, coordenada por Marcelo Becker da Escola de Engenharia de São Carlos da USP (EESC-USP), tem o potencial de ser aplicada em diversas áreas. Becker contextualiza a importância da iniciativa, destacando que o objetivo é utilizar robôs em ambientes de risco, como plataformas offshore ou refinarias. “Em vez de enviar pessoas para áreas perigosas, enviamos um robô”, afirma.
O projeto envolve mais de 50 alunos, professores e pesquisadores, com uma parceria de médio e longo prazo com a Petrobras. A estrutura do laboratório está sendo expandida com um novo prédio no Campus 2 de São Carlos, com investimento de R$ 70 milhões, também apoiado pela Petrobras.
Para Murilo Silva, essa oportunidade de trabalhar com robótica durante a graduação é um diferencial.
Os pesquisadores planejam continuar a desenvolver o sistema, buscando uma implementação mais generalista e adaptável a diferentes tipos de robôs, incluindo o Boston Dynamics Spot, utilizado nos testes iniciais. A equipe busca validar ainda mais o funcionamento do sistema com a participação de diferentes pessoas, tanto especialistas quanto não especialistas, e pretende avançar gradualmente, começando pela simulação, seguida da implementação em ambiente laboratorial e, posteriormente, aplicações em cenários específicos, em parceria com a Petrobras.
