Regulamentação falha impulsiona mercado ilegal de apostas esportivas no Brasil. Estudo aponta que a falta de regulamentação atrai apostadores para operações não autorizadas. Saiba mais!
Um estudo recente, conduzido pela Massonetto Sociedade de Advogados, aponta para um cenário preocupante no mercado de apostas esportivas no Brasil. A pesquisa indica que a regulamentação, em vez de eliminar o mercado ilegal, tem atuado como um fator de indução, impulsionando o crescimento das operações não autorizadas.
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O estudo destaca que o alto custo de conformidade, incluindo impostos, exigências de compliance, restrições publicitárias e a necessidade de verificação de identidade por reconhecimento facial, criam uma desvantagem competitiva para os operadores que operam sob a supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
A análise revela que o mercado ilegal não arca com os encargos impostos pela legislação, oferecendo odds mais atrativas, facilidade cadastral e uma maior variedade de meios de pagamento. Essa situação, segundo os pesquisadores, é agravada pela dificuldade que muitos apostadores têm em distinguir plataformas legalizadas de operações ilegais.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que 78% dos apostadores entrevistados (2.000 no total) tiveram dificuldades em identificar quais plataformas são legalizadas e quais não são, com uma porcentagem ainda maior entre as mulheres (84%).
Para entender o contexto atual, o estudo mergulha na história do jogo do bicho no Brasil. Criado em 1892 como estratégia promocional para o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, o jogo se consolidou como uma modalidade de jogo emblemática da cultura popular brasileira.
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A legislação inicial, surgida em 1830, criminalizava jogos de azar que perturbavam a ordem pública, mas a prática persistiu, especialmente entre a população mais pobre, enquanto a elite podia desfrutar de jogos de azar sem restrições. A regularização do jogo em 1920, sob a presidência de Epitácio Pessoa, visava aumentar a arrecadação do governo e custear o saneamento básico no interior do país, mas a prática continuou a ser ilegal até a década de 1930, quando foi descriminalizada pelo governo Getúlio Vargas.
As estimativas sobre o tamanho do mercado ilegal são significativas. A pesquisa da Massonetto Sociedade de Advogados calcula que o mercado irregular tem receitas anuais de R$ 26 bilhões a R$ 40 bilhões, enquanto o mercado legal estima R$ 38 bilhões.
Os pesquisadores argumentam que o combate ao mercado ilegal representaria ganhos arrecadatórios significativos para o Estado brasileiro, com estimativas de arrecadação não recolhida girando em torno de R$ 7,2 bilhões a R$ 10 bilhões por ano. Essa dinâmica de retroalimentação, onde a regulamentação eleva os custos para os operadores legais, permitindo que os ilegais capturem a diferença, contribui para a persistência do mercado ilegal.
O estudo da Massonetto Sociedade de Advogados ressalta a necessidade de uma análise mais profunda do modelo regulatório das apostas esportivas no Brasil. A pesquisa sugere que, até que medidas mais eficazes sejam implementadas para reduzir os custos de conformidade e aumentar a transparência do mercado, a regulamentação pode continuar a induzir o crescimento do mercado ilegal, com consequências significativas para a arrecadação do Estado e para a concorrência entre os operadores.
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