Redução da Jornada de Trabalho Pode Aumentar Custos para Comércio e Serviços
Uma proposta em análise no Congresso Nacional, que visa reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, pode gerar um impacto financeiro significativo para os setores de comércio e serviços, segundo um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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A entidade estima que a mudança poderá resultar em custos de até R$ 122 bilhões para o comércio e R$ 235 bilhões para o setor de serviços.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, apresentou os dados nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. Segundo ele, a medida pode pressionar os preços e, consequentemente, reduzir o número de empregos formais, com projeções de até 638 mil vagas perdidas, com base em simulações que incluem estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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Bentes ressaltou que a discussão sobre a redução da jornada deve considerar aspectos como produtividade, qualificação profissional e a importância da negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores. Ele argumenta que o objetivo é evitar desequilíbrios no mercado de trabalho.
A CNC estima que o impacto total nos dois setores alcança R$ 357 bilhões em custos de adaptação. O economista enfatizou que o efeito dessa mudança não se limita ao curto prazo. “Se a hora trabalhada ficar mais cara, alguém vai ter que pagar essa conta”, declarou.
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Bentes também observou que, em um ambiente de forte concorrência, como o varejo, os empresários têm pouco espaço para aumentar os preços sem perder competitividade. “Qual é o poder da lojinha da esquina de alterar o preço? Zero”, disse.
A entidade acredita que as empresas, diante da nova realidade, serão obrigadas a reduzir o horário de funcionamento ou a ampliar suas contratações, o que, por sua vez, aumentaria o custo por hora trabalhada. Em setores com alta concorrência, essa situação pode levar à informalidade, já que os empresários terão pouca margem para repassar os custos adicionais aos consumidores.
Bentes destacou que a produtividade nos países desenvolvidos é superior à brasileira, o que explica a menor jornada de trabalho nessas economias. Ele argumenta que, sem avanços em qualificação e investimento em capital, reduzir a jornada de trabalho pode comprometer o nível de produção.
A CNC também menciona a reforma trabalhista de 2018 como um fator que ampliou a flexibilidade nas relações de trabalho. A entidade defende que qualquer alteração na jornada deve ser resultado de negociação coletiva, com a participação de trabalhadores e empregadores, a fim de preservar a competitividade e a renda.
