Brasil aprimora rastreabilidade bovina para atender exigências globais e garantir futuro da pecuária.
A pecuária brasileira enfrenta um momento crucial, impulsionado por transformações globais. A crescente demanda por sustentabilidade, a intensificação das pautas ambientais e sanitárias, juntamente com mudanças regulatórias internacionais, tornaram a rastreabilidade bovina não apenas uma questão de governança ou reputação, mas sim um elemento vital para a sobrevivência econômica do setor.
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O Brasil, como maior exportador mundial de carne bovina, precisa urgentemente adotar sistemas robustos de rastreabilidade para evitar ficar para trás.
Nos últimos anos, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) foi estruturado com o objetivo de assegurar a identificação individual de cada animal desde o nascimento até o abate. Essa iniciativa representa um avanço fundamental, substituindo o sistema anterior baseado em lotes, que se mostrava inadequado para as necessidades do mercado moderno.
O PNIB inclui registro informatizado, integração dos sistemas estaduais e federais, e certificação da movimentação dos animais.
A urgência dessa transição é impulsionada pela crescente demanda externa por transparência e responsabilidade socioambiental. Um exemplo claro é a entrada em vigor da European Union Deforestation Regulation (EUDR), aprovada em 2023 e que exigirá o cumprimento de critérios rigorosos a partir de 30 de dezembro de 2025.
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Essa regulamentação exige que produtos agrícolas exportados – incluindo carne bovina – demonstrem que não provêm de áreas irregulares e que possuam rastreabilidade desde a origem. Para atender a essa exigência, é necessário não apenas identificar o animal, mas também acompanhar seu histórico completo de fazendas por onde passou, garantindo que nenhuma área incorpore o uso da terra ilegal.
A rastreabilidade de gado, por si só, é um instrumento de controle sanitário e ambiental. A adoção do PNIB, que engloba registro individual e base de dados nacional, melhora significativamente a capacidade de resposta a surtos de doenças, aumentando a segurança alimentar e fortalecendo a credibilidade da carne brasileira no exterior.
Além disso, a rastreabilidade pode representar um diferencial competitivo para o Brasil, especialmente em mercados consumidores como a Ásia e os EUA, que demonstram crescente preocupação com a sustentabilidade, a legalidade fundiária e a transparência da origem dos alimentos.
Garantir rastreabilidade completa e confiável pode ser o fator determinante para que os players aptos a exportar para mercados mais exigentes se separem daqueles que serão permanentemente excluídos. No entanto, a implementação eficaz do PNIB enfrenta desafios técnicos e operacionais imensos, devido à fragmentação da pecuária brasileira, à grande diversidade de sistemas de produção entre as regiões e à complexidade da cadeia de fornecedores.
A consolidação de um banco de dados unificado, com a garantia de que todas as propriedades adotem a identificação individual e que os dados estejam sempre atualizados, exige investimentos em infraestrutura e capacitação.
A adoção plena e ágil de sistemas como o PNIB não é mais uma opção, mas sim uma necessidade estratégica. O Brasil precisa apostar em rastreabilidade individual, sistemas de dados integrados e transparência em toda a cadeia produtiva. A experiência recente da carne bovina brasileira com auditorias internacionais aponta para algumas fragilidades, evidenciadas por falhas nos controles de rastreabilidade e sanitários em determinados exportadores, o que levou à suspensão temporária de algumas vendas.
A rastreabilidade ainda é um ponto vulnerável e a correção dessa rota é urgente.
Em um mundo onde a sustentabilidade e a rastreabilidade se tornam exigências centrais, indo além das demandas de marketing e focando em regulação e compliance, o Brasil não pode se dar ao luxo da inércia. O sucesso e o futuro da pecuária brasileira dependem de atitudes práticas e contundentes.
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