Pedreiro Qiu Sijun, 57 anos, teve câncer de pâncreas detectado após check-up de rotina. IA do Hospital Popular de Ningbo identificou tumor com ferramenta PANDA. Tecnologia da Alibaba analisa tomografias sem contraste, com 93% de precisão
Qiu Sijun, um pedreiro aposentado de 57 anos, teve um caso notável quando descobriu um tumor no pâncreas três dias após um check-up de rotina para diabetes. O diagnóstico precoce foi possível graças a uma ferramenta de inteligência artificial que analisou sua tomografia antes que ele apresentasse qualquer sintoma.
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O evento ocorreu no Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, localizado no leste da China, onde profissionais de saúde estão testando o PANDA (sigla em inglês para detecção de câncer de pâncreas com inteligência artificial).
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores ligados à empresa Alibaba e representa um avanço significativo no combate a uma das formas mais letais de câncer. O câncer de pâncreas apresenta uma taxa de sobrevida de apenas 10% em cinco anos, principalmente devido à dificuldade extrema na detecção precoce.
Os sintomas geralmente aparecem apenas em estágio avançado, quando as opções de tratamento são limitadas.
Os exames tradicionais, como tomografias com contraste, envolvem altas doses de radiação e não são recomendados para rastreamento em larga escala. Já as tomografias sem contraste, mais seguras, produzem imagens menos nítidas. O PANDA foi treinado especificamente para identificar câncer de pâncreas em tomografias sem contraste.
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Engenheiros da Alibaba solicitaram que radiologistas anotassem manualmente mais de 2 mil tomografias com contraste de pacientes com câncer, indicando a localização das lesões. Em seguida, mapearam algoritmicamente essas lesões para as tomografias sem contraste dos mesmos pacientes.
Quando testada em mais de 20 mil tomografias sem contraste, a ferramenta identificou corretamente 93% das pessoas com lesões pancreáticas, segundo estudo publicado na revista Nature Medicine em 2023. Desde novembro de 2024, o PANDA analisou mais de 180 mil tomografias abdominais ou torácicas no hospital de Ningbo.
A ferramenta ajudou a detectar cerca de 24 casos de câncer de pâncreas, sendo 14 em estágio inicial. Todos esses pacientes apresentavam queixas como inchaço ou náusea, mas não haviam sido encaminhados inicialmente a um especialista em pâncreas.
Várias de suas tomografias não haviam levantado alertas até serem analisadas pela IA.
Em abril, a Administração Nacional de Instrumentos Médicos concedeu ao PANDA o status de dispositivo inovador, o que acelera sua avaliação para chegada ao mercado americano. A ferramenta também passa por diversos ensaios clínicos na China. Especialistas alertam que são necessários mais dados para avaliar se a tecnologia detecta casos suficientes em estágio inicial para compensar os riscos de falsos positivos e exames desnecessários.
Desde o lançamento, o modelo emitiu alertas para cerca de 1.400 exames, mas apenas 300 precisaram de acompanhamento. O sistema também enfrenta limitações técnicas: não se compara a um especialista em pâncreas, pode confundir casos de pancreatite com tumores e tem dificuldade para identificar se um tumor se originou no pâncreas ou se espalhou de outro órgão.
O PANDA está sendo testado também em uma clínica rural na província de Yunnan, onde o acesso a especialistas é mais limitado.
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