Protiviti revela desafios na luta contra assédio no Brasil corporativo

Estudo da Protiviti revela avanços no combate ao assédio no Brasil, mas aponta lacunas na atuação da liderança e na apuração de denúncias.

20/01/2026 7:33

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Combate ao Assédio Moral e Sexual: Avanços e Desafios na Agenda Corporativa Brasileira

A luta contra o assédio moral e sexual tem ganhado relevância na agenda empresarial brasileira, conforme evidenciado pela segunda edição da “Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil – Panorama 2026”, conduzida pela Protiviti, uma consultoria global especializada em compliance, gestão de riscos, tecnologia e inovação.

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O estudo analisou as experiências de 109 profissionais que atuam diretamente com o tema em empresas de diferentes portes, setores e regiões do país.

Principais Descobertas do Estudo

Os dados revelam um aumento significativo na adoção de normas formais contra assédio moral e sexual, com 93% das empresas possuindo tais normas, um crescimento em relação aos 86% registrados em 2024. Além disso, houve um avanço na existência de políticas de apuração de denúncias, passando de 79% para 91% no período.

No entanto, a maturidade das práticas ainda apresenta desigualdades.

Lacunas na Apuração de Denúncias

Apenas 51% das organizações contam com políticas de apuração que incluem capítulos específicos para casos de assédio, mesmo com um crescimento de 13 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Daniela Aggio, diretora executiva de Forensics & Integrity da Protiviti, destaca que a apuração de assédio exige protocolos e metodologias distintas das utilizadas em investigações de fraude ou outros ilícitos, ressaltando os riscos de conduções inadequadas e perda de credibilidade.

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Riscos Psicossociais e Saúde Mental

O estudo também aponta para a falta de estrutura no tratamento de riscos psicossociais e saúde mental. Apenas 44% das organizações afirmam já ter mapeado esses riscos, enquanto 39% ainda não realizaram o mapeamento e 17% não sabem informar. 68% das empresas ainda não tratam questões como burnout e adoecimento emocional de forma adequada, e apenas 32% avaliam que o assunto é tratado de maneira séria e efetiva.

Despreparo da Liderança

Um dado crítico é a percepção de despreparo da liderança. Apenas 26% dos respondentes acreditam que os líderes saberiam reagir corretamente ao receber diretamente uma denúncia de assédio. A maioria (63%) avalia que agirão apenas parcialmente, enquanto 11% afirmam que os líderes não saberiam como proceder. “Muitos relatos chegam primeiro aos líderes diretos.

Quando eles não estão preparados, o risco de revitimização, omissão ou condução inadequada é alto,” afirma Aggio.

Proteção de Denunciantes

Apenas 57,8% afirmam contar com apoio da alta direção e proteção formal contra retaliações. 29,4% relatam vulnerabilidades, e 12,8% preferiram não responder. A alta direção ainda está pouco envolvida formalmente.

Patrocínio Institucional e Governança

Apenas 68,8% das normas contra assédio e 64,2% das normas de apuração foram formalmente aprovadas pela alta direção com evidências documentais. Em 16,5% dos casos, nenhuma norma passou por aprovação formal. Mesmo entre empresas que possuem políticas, apenas 56% contam com aprovação formal da alta direção para normas contra assédio, e apenas 26% para normas de apuração.

Capacitação e Investimento Contínuo

No campo da capacitação, houve avanço: 88% das empresas realizam algum tipo de treinamento sobre assédio, ante 79% em 2024. Destas, 44% promovem treinamentos recorrentes e estruturados para toda a organização. Ainda assim, 12% não realizam qualquer tipo de treinamento, e 43% não possuem um plano formal e estruturado, o que preocupa diante das exigências da NR-1 e da Lei nº 14.457/22.

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