Protestos e repressão atingem o Irã em dezembro de 2025, com foco na resistência feminina e no combate à repressão. Hrana aponta 544 mortos e 10.681 presos
Em dezembro de 2025, o Irã enfrentou uma onda de protestos generalizados, marcados por uma forte repressão às mulheres que desafiavam as rígidas regras impostas pelo regime. A queima de fotos do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, e o ato de acender cigarros com as chamas, tornaram-se símbolos desses atos de resistência.
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De acordo com a Human Rights Activists News Agency (Hrana), os protestos resultaram em 544 mortos e 10.681 presos.
As manifestações foram motivadas inicialmente pela inflação elevada, desvalorização da moeda e aumento dos preços de bens essenciais. Com o tempo, centenas de pessoas se uniram, exigindo reformas políticas e do sistema judiciário, buscando maior liberdade e expressando sua insatisfação com o governo de Khamenei.
Desde 1979, o Irã é uma teocracia, governada pelo aiatolá, sob os preceitos do Alcorão.
A mudança no tratamento das mulheres iranianas é uma das principais reivindicações dos opositores do governo. A revolução de 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi, teve um impacto negativo nas mulheres, conforme apontou a professora Nayereh em entrevista ao Poder360.
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Após o poder ter sido tomado, o líder supremo Ruhollah Khomeini revogou o pacote de 1967 e 1975, que garantia direitos às mulheres, incluindo a redução da idade mínima para casamento, que passou de 18 para 9 anos. A obrigatoriedade do uso do hijab e da abaya também foram impostas.
Apesar da repressão, a resistência feminina se fortaleceu. A educação pública, que se tornou acessível às mulheres, foi um fator crucial. A matrícula de mulheres nas universidades é maior que a dos homens, atingindo pelo menos 52%. Homens também começaram a se engajar na luta por autonomia corporal, com relatos de ataques por terem cabelo longo ou não se vestirem de forma tradicional.
Essa mudança paradigmática, segundo Nayereh, afetou a todos, com homens e mulheres buscando maior liberdade e direitos.
Imagens de mulheres em todo o mundo acendendo cigarros com as chamas provenientes de uma foto queimada do líder supremo do Irã se tornaram símbolos dos protestos que começaram em dezembro de 2025. A Hrana relata que os protestos ocorrem em todas as 31 províncias do Irã, e que o bloqueio da internet, que dura mais de 80 horas, aumenta as preocupações sobre a repressão.
A NetBlocks reporta que a conectividade do Irã com o mundo exterior permanece em apenas 1% do nível normal.
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