Protestos no Irã: Apelo de Pahlavi Amplifica Manifestações e Crise Política

Protestos no Irã: Crise Amplificada com Apelo de Reza Pahlavi. Manifestantes em 31 províncias clamam por mudança, impulsionados por redes sociais. Apelo de Reza Pahlavi viraliza no Instagram, com mais de 400 mil visualizações. Regime iraniano fecha internet e usa câmeras de reconhecimento facial

19/01/2026 5:46

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Protestos no Irã: Uma Crise Amplificada

No final de dezembro, comerciantes do bazar de Teerã iniciaram protestos contra o governo teocrático do Irã, motivados pela forte desvalorização da moeda. Esses atos de resistência se espalharam rapidamente pelo país, embora inicialmente com participação limitada.

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Uma mudança crucial ocorreu quando Reza Pahlavi, filho do antigo xá, lançou um apelo público para manifestações, buscando apoio nas últimas semanas do ano.

Essa iniciativa alterou significativamente a dinâmica do movimento. As autoridades pareciam subestimar o impacto de Pahlavi, que reside nos Estados Unidos. A mídia estatal, por sua vez, abriu espaço para o apelo, mas a mensagem de Pahlavi se disseminou rapidamente através das redes sociais, particularmente no Instagram, onde seu vídeo recebeu mais de 400 mil visualizações e quase 500 mil comentários até 13 de janeiro – um número inédito para conteúdo em persa online.

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Grandes multidões emergiram nas ruas, espalhando-se por todas as 31 províncias, clamando pelo retorno de Pahlavi ao país. Este foi o primeiro caso desde 2009, em que uma figura política fez um apelo explícito para a mudança de regime, resultando em uma resposta popular em larga escala.

O movimento, impulsionado pelas redes sociais e com uma liderança clara, combinou ferramentas online com uma liderança definida, ampliando seu alcance e impacto.

À medida que os protestos se intensificavam, as autoridades perceberam a magnitude do movimento. Em resposta, o regime impôs um bloqueio total da internet no país em 8 de janeiro, juntamente com a interrupção das linhas telefônicas e dos serviços de SMS.

Mais de 85 milhões de iranianos vivem agora em um vácuo de informações, com as únicas notícias vindas de veículos de comunicação controlados pelo governo, como Tasnim e Fars, afiliados à Guarda Revolucionária Islâmica. Essa medida, combinada com a repressão violenta, visava reprimir os protestos.

A Tecnologia como Ferramenta de Controle

O regime iraniano utiliza um sistema sofisticado de autoritarismo digital, que inclui o desligamento da internet, o uso de câmeras de reconhecimento facial e a manipulação da narrativa. Essa estratégia tem como objetivo controlar a informação e reprimir a dissidência.

A China e a Rússia também empregam tecnologias semelhantes.

O governo iraniano tem se concentrado em três pilares principais: o desligamento da internet, a utilização de câmeras de reconhecimento facial (importadas principalmente da China) e o controle da narrativa. Essas estratégias são usadas em conjunto, intensificando o impacto do regime sobre a população.

A Construção da Narrativa Oficial

Diante do caos digital, o governo iraniano começou a construir sua narrativa oficial dos eventos. Associar os manifestantes aos Estados Unidos e a Israel é uma tática antiga, que está sendo intensamente promovida. O atual presidente, Masoud Pezeshkian, descreveu os manifestantes como “terroristas treinados” e afirmou que não são iranianos comuns.

Outras autoridades, como Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, também alegaram que os manifestantes estão envolvidos em uma “fase de guerra terrorista”.

A agência de notícias Tasnim divulgou que as ações dos manifestantes resultaram em “mártires” – tanto os manifestantes quanto as forças de segurança mortos –, e acusou “agentes” dos EUA e de Israel pelas mortes. Relatos de prisões de supostos “agentes da Mossad” também estão sendo divulgados repetidamente.

Essa construção de narrativas visa deslegitimar os manifestantes e justificar a resposta dura do regime.

Apesar do controle digital e da repressão, os manifestantes continuam a arriscar suas vidas em busca da liberdade, buscando que suas vozes sejam ouvidas em todo o mundo. Este texto foi republicado de sob licença Creative Commons. Leia o texto original.

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