Argentina busca impulsionar exportações com privatização e modernização da rede ferroviária Belgrano Cargas. Iniciativa visa reduzir custos de frete e atrair investimentos
A Argentina planeja impulsionar suas exportações de grãos e minerais através da privatização e da modernização ambiciosa de sua antiga rede ferroviária. Essa iniciativa, que visa reduzir pela metade os custos de frete para regiões distantes dos portos, é vista como um passo crucial para o país enfrentar sua crise econômica e atrair investimentos.
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A primeira licitação será para a rede Belgrano Cargas, responsável pelas três maiores linhas ferroviárias de carga do país. Com lançamento previsto para o início do próximo ano, a modernização poderá expandir a produção de produtos de exportação global, como soja, milho, cobre e lítio, além de auxiliar no transporte de areia para Vaca Muerta, uma importante formação de xisto no sudoeste da Argentina.
A modernização do sistema ferroviário representa um grande desafio, considerando que o volume de carga transportada (por trem) atualmente é inferior ao de 1970, apesar do aumento de quase seis vezes na produção agrícola nesse mesmo período. Segundo Alejandro Núñez, presidente da estatal Belgrano Cargas y Logística, a rede inclui três linhas que se estendem por quase 8.000 quilômetros e atualmente transportam cerca de 7,5 milhões de toneladas de carga por ano, das quais 60% são produtos agrícolas e derivados.
O governo considera a melhoria das ferrovias fundamental para atingir sua meta de aumentar as exportações totais anuais em US$100 bilhões em sete anos. Atualmente, o custo por tonelada para transportar carga da província de Salta até Rosário é maior do que o custo para enviá-la de Rosário para o Vietnã, conforme afirma Gustavo Idígoras, presidente da câmara de exportação de grãos CIARA-CEC.
A modernização da infraestrutura exigirá investimentos de pelo menos US$800 milhões, com o Grupo México Transportes (GMXT) planejando investir US$3 bilhões caso vença a licitação.
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Diversas empresas manifestaram interesse na licitação, incluindo o Grupo México Transportes (GMXT), um consórcio agrícola formado por Bunge Global, Cargill Inc., Louis Dreyfus Co., Associação de Cooperativas Argentinas e Aceitera General Deheza SA, além da mineradora anglo-australiana Rio Tinto.
A expectativa é que a modernização da rede ferroviária impulsione a produção agrícola no norte do país, onde pelo menos metade da produção agrícola argentina ocorre a mais de 300 quilômetros de Rosário, e também beneficie o setor de mineração, que inclui projetos de mineração de cobre e lítio.
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