Porsche enfrenta crise e busca nova direção: prejuízo de 1 bilhão e saída de Oliver Blume. Michael Leiters assume para redefinir estratégia e recuperar rentabilidade
A Porsche está passando por um dos períodos mais difíceis de sua história recente em termos financeiros. A montadora alemã registrou um prejuízo operacional de quase 1 bilhão de euros no terceiro trimestre, um evento que veio acompanhado da saída de seu presidente, Oliver Blume, que liderava a empresa há dez anos.
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A decisão foi motivada pela pressão dos investidores, que observavam o enfraquecimento dos resultados da empresa.
Para substituí-lo, a Porsche escolheu Michael Leiters, ex-CEO da britânica McLaren. O anúncio gerou um aumento nas ações da Porsche, refletindo a esperança de uma recuperação com uma nova liderança, conforme apontado pela The Economist. A empresa, embora menor dentro do Grupo Volkswagen, representava mais de um quarto do lucro operacional do grupo.
As margens de lucro da Porsche, que historicamente oscilavam entre 15% e 18%, devem cair para até 2% neste ano. O valor de mercado da empresa, atualmente estimado em cerca de 40 bilhões de euros (aproximadamente 46 bilhões de dólares), diminuiu pela metade desde seu IPO há três anos.
Michael Leiters assumirá o comando em 1º de janeiro e terá três prioridades. De acordo com a The Economist, a primeira é ajustar a estratégia de veículos elétricos (VEs). A Porsche revisou sua meta de atingir 80% das vendas com modelos elétricos até 2030, devido à demanda abaixo do esperado por esportivos a bateria.
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O novo Macan, um SUV de luxo da marca, passará a ser vendido apenas em versão elétrica a partir de 2026, com a versão a combustão retornando apenas em 2028.
Outra preocupação é a demanda por modelos de alta performance, que já foi o principal destino dos veículos da marca. As vendas devem cair para cerca de 40 mil unidades neste ano, uma redução significativa em relação ao volume de 2022. A concorrência local, liderada por modelos como o Xiaomi Su 7, e dificuldades na adaptação tecnológica dos sistemas de infoentretenimento, impulsionaram uma revisão estratégica.
Leiters precisará decidir se ampliará os investimentos para recuperar a relevância ou reduzirá a operação no país.
Um terceiro desafio é o impacto dos impostos sobre veículos europeus nos Estados Unidos. O país é atualmente o maior mercado da Porsche, representando 25% das vendas em 2024, mas a empresa não possui fábricas locais. A nova política do governo Trump pode resultar em um prejuízo estimado de 700 milhões de euros neste ano.
Aumento de preços para compensar os custos poderia comprometer ainda mais as vendas.
A transição de comando marca o início de uma fase crucial para a montadora. O mercado espera que Leiters redefina o equilíbrio entre eletrificação, rentabilidade e presença global, diante de um cenário mais competitivo e com custos crescentes.
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