Brasil registra aumento de 327.925 pessoas em situação de rua em janeiro de 2026, aponta levantamento do OBPopRua/Polos-UFMG. Fatores como falta de políticas públicas e precarização da vida contribuem para o aumento
Em dezembro de 2024, o Brasil registrou 327.925 pessoas vivendo nas ruas, um número que representa um aumento em relação aos 365.822 registrados no final do ano anterior. Esses dados foram divulgados pelo OBPopRua/Polos-UFMG, um observatório que acompanha a população em situação de rua.
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O levantamento, realizado na quarta-feira, 13 de janeiro de 2026, utiliza o CadÚnico, cadastro de programas sociais, como base para quantificar a vulnerabilidade e os repasses governamentais aos municípios.
Pesquisadores do observatório apontam quatro fatores principais para o aumento da população em situação de rua. Entre eles, o fortalecimento do CadÚnico como principal registro, a ausência de políticas públicas estruturadoras (moradia, trabalho e educação), a precarização das condições de vida após a pandemia e as emergências climáticas.
A complexidade do problema é evidenciada pelas declarações de Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo.
Mendonça ressaltou que, apesar da redução da insegurança alimentar grave, ainda há muitas pessoas passando fome no país. Ele explicou que o aumento da população em situação de rua é resultado da dificuldade de acesso a recursos básicos, como moradia, alimentação e medicamentos.
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Ele mesmo relatou suas dificuldades financeiras para adquirir os medicamentos necessários devido a problemas de saúde, mencionando que precisaria de dez salários mínimos para cobrir seus gastos médicos, incluindo o custo de uma máscara que custa R$ 6 mil.
Mendonça defende que a solução para o problema passa pela capacitação profissional, pelo combate ao preconceito contra a população em situação de rua e por políticas públicas voltadas para moradia e emprego. Ele acredita que é fundamental tratar essas pessoas como cidadãos desempregados, oferecendo oportunidades de reintegração ao mercado de trabalho.
Ele enfatiza a importância da conscientização dos empresários para que deem empregos a essas pessoas.
Ele critica a forma como o governo tem encarado o problema, argumentando que ele não está na população em situação de rua, mas sim na falta de políticas públicas eficazes. Ele defende que o problema deve ser encarado com seriedade, dignidade e respeito.
A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que está trabalhando em parceria com os municípios para reduzir a população em situação de rua. A secretaria repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início da gestão, sendo que R$ 145,6 milhões seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua.
Além disso, foram criadas 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade, e ampliado o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, que visa a conquista da autonomia, com renda e moradia, para pessoas afetadas pelo uso de substâncias psicoativas.
O ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento.
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