Política brasileira gera insatisfação: “Paradoxo Inexorável”
Cientista político aponta “mal-estar permanente” na percepção do eleitorado. Especialista da FGV, Carlos Pereira, analisa o presidencialismo multipartidário e a falta de legitimidade. Saiba mais!
Apesar da estabilidade institucional e do funcionamento previsível do sistema democrático brasileiro, com a ausência de conflitos irreconciliáveis entre os poderes, uma grande parcela da sociedade sente que a política não é legítima. Essa é a avaliação do cientista político Carlos Pereira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), que participou do programa “WW Especial” da CNN Brasil.
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Segundo Pereira, o presidencialismo multipartidário brasileiro se caracteriza por um jogo constante de negociações entre os diversos atores políticos. Para formar maiorias no Congresso Nacional, é preciso oferecer compensações e concessões. “Não se trata de um jogo limpo”, explicou o professor. “É um jogo cheio de intercorrências e da necessidade de os atores políticos ofertarem compensações uns aos outros.”
O problema central, na visão de Pereira, não reside na própria existência dessas negociações, mas na forma como o eleitorado as percebe. “Essas compensações são vistas pela sociedade como não legítimas”, ressaltou, enfatizando que essa percepção gera um “mal-estar permanente”, mesmo sem que haja paralisia decisória ou ruptura institucional.
O cientista político observou que o Brasil apresenta os sinais clássicos de uma democracia funcional: o respeito ao calendário eleitoral, a alta competitividade entre os candidatos, a incerteza sobre o resultado das eleições e a garantia de posse para o vencedor.
No entanto, a insatisfação popular persiste.
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“Isso indica que as instituições estão operando normalmente e que a democracia não está em risco. Contudo, a percepção que se tem é de insatisfação constante”, avaliou Pereira. Ele destacou que instrumentos como a distribuição de ministérios e o uso de recursos públicos para obter apoio no Legislativo podem soar de forma negativa para o cidadão comum.
“Isso demonstra que a política não se baseia em ideologia ou programa de governo, mas sim em interesses”, afirmou Pereira, enfatizando que essa lógica é inerente ao presidencialismo multipartidário. O especialista concluiu que se trata de um dilema sem solução fácil, “um paradoxo inexorável”.
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